A vida em São Paulo não é feita apenas de diversão e felicidade. As ruas da cidade são frias o bastante para que seus moradores sejam muito ranzinzas e rudes. É por essa visão da realidade que segue Peixe Peludo (Conrad, R$ 24,90, 96 páginas), obra que faz da escassez de sensibilidade a porta de entrada na cena underground paulistana.
O livro já chama a atenção por seu protagonista: um peixe corcunda e repleto de pelos que gosta de tocar trompete. Seu jeito sério e a falta de paciência faz com que elabore interessantes observações sobre o que ocorre ao seu redor.O sarcasmo é espalhado por diversos temas. O mundo artístico, a culinária urbana, a influência dos meios de comunicação, e - não poderia ser deixado de lado - os rumos dos relacionamentos são comentados como bêbados conversando em uma mesa de bar.
As referências a lugares de São Paulo são ingredientes diferenciais na obra. O personagem passeia pela Praça Roosevelt, passa a frente do Espaço dos Satyros 1 e do Teatro do Ator, anda sob viadutos e chega até a icônica Rua Augusta após passar mal com um lanche do famoso ‘churrasco grego''.Peixe Peludo é uma criação de Rodrigo Bueno, responsável pelas ilustrações em preto e branco, e Rafael Moralez, que assina o roteiro. Com o livro, a dupla faz sua estreia em histórias em quadrinhos.
A opção por um peixe como o anti-herói do livro mostra o quão sujo pode ser o morador da Capital paulista. Mas não que isso seja uma coisa necessariamente ruim, mas representa que o conto de fadas na metrópole pode não ocorrer para todos. Os autores afirmam que a obra foi inspirada nas piores ressacas.Às vezes, a embriaguez relata mais a verdade do que se imagina.
See You in The Other Post

Com texto e ilustrações do norte-americano Rich Koslowski, a graphic novel conta a história do cineasta Dizzy Walters, jovem do interior dos Estados Unidos que sonhava em trabalhar no mundo artístico de Holywod. Durante fase conturbada, ele conhece lugar frequentado pelos animados, animais capazes de falar como qualquer pessoa.
Os questionamentos deram início a informações de que os novos atores animados estavam passando por misterioso ritual para tentar chegar ao estrelato e isso foi o início do declínio da carreira do ratinho astro.
Outro ponto acertado é a recriação de famosos ícones da cultura pop da pior forma possível. Não que os desenhos sejam ruins, mas dando a eles uma personalidade humana jamais esperada. Fica claro desde o começo que a brincadeira gira em torno do sucesso de Walt Disney (1901-1966) e seu império criado com a ajuda de Mickey Mouse. É impagável se deparar com as versões de Frangolino (Galonildo) (acima), Gaguinho (Engasguinho), Pernalonga (Pernalouca), Patolino (Patonildo) e Pluto (Júpiter), entre outros. Destaque para a união de universos da Disney e da Warner Bros., e a participação especial de astros como Marilyn Monroe (abaixo).
Na medida em que as entrevistas ocorrem, o leitor fica cada vez mais atiçado em saber do que se trata o chamado ritual que tanto falam e alguns preferem nem fazer comentários. A revelação acontece ao longo das páginas e deixa clara a escolha do enigmático título Três Dedos. A engraçada explicação do início do livro parece meio perdida, mas se mostra muito pertinente quando tudo começa a ser explicado.





Os ingredientes são encontrados no misterioso trio de performers. O início é marcado por um intrigante jogo de luz e brincadeiras com sombras em um gigante pano que cobre o palco. A música agitada, mantida por uma banda e dois cantores, se mistura com incomuns sons que o divertido trio retira de instrumentos feitos de PVC, antenas de fibra de vidro, cítaras, pianos desmontados e outros criados pelo próprio grupo.
Há ainda tambores que jorram tinta quando batucados. As apresentações abarcam música, vídeo, pintura, circo, teatro, animação, vaudeville e performance. Sempre sérios e pintados por uma tinta azul especial – que aparenta estar fresca o tempo todo – fazem do olhar dos atores o principal meio de contato com o público.
Segundo Scott, o público de cada país tem uma maneira de lidar com o trabalho. “Causa sensações diferentes em cada um. Nós buscamos essa conexão e tem sido gratificante.” Em sua segunda passagem pelo Brasil, o grupo prepara surpresas para quem assistir ao espetáculo. O quarto integrante revela que todos estão empolgados com o regresso para o País após dois anos e que decidiram nos homenagear. “Conhecemos a música brasileira e trabalhamos com ela. Vamos fazer um tributo a Roberto Carlos e à Copa do Mundo, que é uma das paixões do Brasil.”
