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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Ilustrações Celebram Uma Cinquentona

No ano passado, a pequena Mônica completou 50 anos e um livro com versões da personagem fechou um grande ciclo de comemorações. Mônica(s) (Panini Comics, 160 páginas, R$ 99 em média) reúne trabalho de 150 convidados que revelam sua própria visão para a eterna rainha da Rua do Limoeiro com traços e ideias que chegam bem longe da original.
Os organizadores chamaram um total de 150 artistas para participar do projeto. Entre os nomes selecionados estão Fernando Gonsales, Orlandeli, Samuel Casal, Danilo Beyruth, Luke Ross, Mike Deodato Jr., Roger Cruz, Sabrina Eras e o veterano Ziraldo. Alguns deles, casos de Gustavo Duarte e os irmãos Lu e Vitor Cafaggi, estão no time de quadrinistas que estão reinventando as criações de Mauricio de Sousa em graphic novels – Pavor Espaciar e Laços, respectivamente. Uma pequena parte do material já entrou no livro Mônica 30 Anos, lançado na década de 1990.
Grande parte dos brasileiros teve contato com as histórias em quadrinhos por meio da Turma da Mônica. Entre os influenciados pelos contos criados por Mauricio de Sousa ao longo das décadas estão os irmãos Magno e Marcelo Costa, de Santo André, hoje entre os destaques da nova geração de quadrinistas brasileiros.

“Praticamente todo mundo, em algum momento da vida, leu a 'Turma da Mônica'. Foi a nossa primeira ligação com as HQs, uma vez que o material de editoras como Marvel e DC (Comics) eram difíceis de encontrar”, recorda Magno. “Começamos a ler com essas revistinhas e depois fomos desenhando os personagens. É um universo que fala muito a língua da criança”, diz Marcelo.
Com muita nostalgia, os gêmeos retornam para esse universo por meio de suas participações em Mônica(s). “Quando esse tipo de livro é lançado, o público fica muito ansioso para ver o resultado final. Participar de um projeto grandioso como esse acaba sendo uma responsabilidade imensa. A Mônica é uma figura icônica e dar sua visão sobre ela é um desafio”, explica Magno. Segundo seu irmão, “esse tipo de convite faz com que a cabeça fique cheia de ideias. Quando você faz uma releitura sem compromisso até que é bem fácil, simples. O peso vem quando percebemos que o negócio é sério.”
No meio da seleção de opções e possibilidades que dariam certo no papel, eles seguiram caminhos diferentes. Magno buscou inspiração em mundos fantásticos, como o visto na saga A Guerra dos Tronos, para revelar uma garotinha mais guerreira. Os traços flertam com o estilo do mangá. Um ar mais urbano cerca a Mônica idealizada por Marcelo. O andreense a coloca como a líder de uma espécie de gangue juvenil formada ainda por Cebolinha, Cascão e Magali.

Ilustradores de outros países também estão espalhadas pelas páginas, com espaço para desenhos assinados pelo norte-americano Will Eisner, considerado um dos grandes mestres do quadrinho mundial e criador do herói The Spirit, e do italiano Milo Manara, conhecido por trabalhos de teor erótico.
A garotinha de vestido vermelho viaja entre o ar angelical e infantil até opções mais adultas e um tanto quanto filosóficas. Tentando manter um estilo mais tradicional e flertando com o ar de pintura antiga, José Luiz Benicio empresta seu talento para a capa. A cena prova que a Mônica já está eternizada.

sábado, 25 de janeiro de 2014

O Passado do Planeta do Superman

Antes de existir o Superman, há toda uma história sobre um universo longínquo. As informações básicas sobre a origem do personagem da DC Comics tentaram ser reveladas inúmeras vezes e por diversos autores, mas poucos materiais parecem se aventurar tanto em explorar o que havia antes de Kal-El nascer. É tentando consolidar esse mundo alienígena de onde veio o maior super-herói de todos os tempos que temos Os Últimos Dias de Krypton (Editora Fantasy – Casa da Palavra, 464 páginas, R$ 39,90 em média).
A obra não traz ilustrações ou qualquer referência em quadrinhos ao tema. Kevin J. Anderson, conhecido do público geek por elaborar romances ligados a sagas como Star Wars, Dune e Arquivo X, entrega apenas textos para levar o público a uma viagem interplanetária com direito a criaturas bizarras, elementos extremamente tecnológicos e, até mesmo, um poderoso sol vermelho. O básico relato sobre Krypton a que o grande público está acostumado gira em torno do planeta ter explodido pouco antes de seu filho mais famoso conseguir ser enviado para a Terra. Os fãs mais curiosos sempre procuraram saber mais sobre essa civilização perdida.

O escritor norte-americano tenta descrever como os kryptonianos deixaram de formar uma sociedade praticamente perfeita, com enorme controle sobre seus avanços e possibilidades, e acabou enfrentando um verdadeiro apocalipse. Desta forma, os leitores são jogados no passado do casal formado pelo cientista Jor-El e a escritora Lara (futuros pais do Superman), apresentados aos antecessores do temido General Zod e ficam entendendo todo o contexto que levou o planeta a seu fim. Figuras como o perigoso vilão Brainiac e Zor-El, tio do herói, também têm suas histórias desenvolvidas, todas com direito a traições, brigas, amores e conspirações.
Os Últimos Dias de Krypton é um bom item para complementar o longa-metragem O Homem de Aço, novo filme do Superman lançado no ano passado. Parte desse universo ganhou bons minutos na obra do diretor Zack Snyder, que tenta se aprofundar com mais intensidade na origem do protagonista, principalmente por acompanhar Jor-El (agora interpretado por Russell Crowe) por mais tempo. Mas enquanto o longa-metragem se importa em lidar com o drama do fim iminente, o livro tenta fazer da vida em Krypton seu chamariz.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

A Audácia de Uma Geração


Valente não é exatamente um cachorro comum. Ele não anda sobre as quatro patas, late para tentar chamar a atenção ou corre atrás de carros pelas ruas. Com características humanas, o personagem das histórias em quadrinhos representa toda uma geração contemporânea que ainda convive com as mais clássicas questões existenciais, como as dificuldades nos relacionamentos, o medo de enfrentar o mundo e todos os passos até o amadurecimento. Como qualquer pessoa.

As tirinhas elaboradas por Vitor Cafaggi são mais conhecidas no Rio de Janeiro, onde são publicadas aos fins de semana no jornal O Globo desde 2010, mas o resto do País poderá ter mais contato com as aventuras do simpático e emotivo animal com a publicação de suas histórias encadernadas.


Com material inédito, Valente Por Opção (Panini Comics, 108 páginas, R$ 14,90) acaba de chegar às prateleiras. Esse é o terceiro volume da coleção que ainda conta com as primeiras edições de Valente Para Sempre (Panini Comics, 92 páginas, R$ 14,90) e Valente Para Todas (Panini Comics, 96 páginas, R$ 14,90), lançadas anteriormente de maneira independente pelo autor.

Aos 35 anos, Cafaggi utiliza toda sua bagagem pessoal para dar traços e sentimentos aos pequenos contos. “Valente sou eu adolescente. Toda a insegurança, a falta de trato social, o RPG, a completa incapacidade para relacionamentos. Não é 100% autobiográfico. Tive que mudar, ou até tirar, as partes mais surreais das histórias reais porque senão ninguém ia acreditar que aqueles personagens podiam fazer certas coisas”, explica o artista mineiro.


“Como eu não tinha muito tempo para criar, resolvi contar uma história que eu já conhecia bem, com personagens que eu conhecia tão bem quanto conheço meus amigos, minha família, minhas ex-namoradas. Escolhi um certo momento, bem representativo, em minha vida e segui contando minha história a partir daí, pelas tiras com cachorros, gatos, pandas e macacos.”


O quadrinista vive bom momento na carreira. Seu nome está entre os destaques do mercado na temporada pelo elogiado trabalho ao lado da irmã Lu Cafaggi na graphic novel Laços, versão para o universo da Turma da Mônica. Uma continuação já foi encomendada por Mauricio de Sousa. Entre suas influências estão os icônicos Peanuts, de Charles Schulz, e Calvin e Haroldo, de Bill Watterson. “Considero as histórias do Calvin como a melhor coisa já feita em quadrinhos”.


A saga moderna e com um divertido toque juvenil faz do amor seu fio condutor. O personagem vive seus encontros com algumas garotas – na verdade, outros animais – e busca entender de que maneira tudo isso se encaixa em seu crescimento antes que sua companheira definitiva apareça. As tiras mostram sua evolução ao longo do tempo, desde a adolescência até o início da vida adulta, passando por longas conversas com a melhor amiga Bu e os momentos de diversão com os amigos.

Em Valente Por Opção, o cachorro tenta lidar com o fim do namoro com Princesa, os resultados de suas escolhas do passado e sua entrada na faculdade.


O formato da tira surge como desafio para tratar temas considerados sérios de maneira simples e divertida. Segundo Cafaggi, ser verdadeiro e sincero talvez seja a chave para o sucesso, assim como saber lidar com o rápida receptividade dos leitores. “Uma simples tirinha pode contar uma história muito importante para alguém, uma história que toque a pessoa que leu aquilo de um jeito que apenas uma música conseguiu tocar. Uma tirinha pode mudar a vida de uma pessoa para sempre. Mesmo que esse para sempre dure só um minuto.”

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A Vida e as Ideias da Cultura Beatnik

O fim da década de 1950 e o início dos anos 1960 foram marco da rebeldia dos jovens que queriam mudar tudo à sua volta após o impacto das ações da Segunda Guerra Mundial. Nos Estados Unidos, a chamada cultura beatnik acabou por mexer com os padrões da literatura convencional por surgir de uma geração que não se conformava com o que lhes era imposto. A história do movimento e de seus grandes articuladores pode ser vista em Os Beats (Benvirá, R$ 39,90, 208 páginas).

A graphic novel utiliza a linguagem dos quadrinhos para apresentar fatos importantes da vida dos principais artistas envolvidos.

Os escritores buscavam quebrar certas regras estabelecidas pelos autores do passado e tinham como referência para seus textos a rotina boêmia e o hedonismo a qualquer custo. Figuras como Allen Ginsberg, responsável pelo poema Uivo e a obra Kaddish e Outros Poemas; Willian S. Burroughs, dos livros Junkie e Almoço Nu; e Jack Kerouac, autor do icônico On The Road, surgem como líderes da nova cultura.

A segunda metade traz relatos mais breves sobre os beats menos conhecidos. Além de contar detalhes da criação dos conhecidos textos do universo underground, a HQ chama atenção por escancarar suas vidas pessoais. Problemas financeiros, o uso de drogas e bebidas, a liberdade sexual dos envolvidos e acidentes que resultaram na morte de pessoas próximas -­ sendo que algumas situações foram protagonizadas pelos próprios escritores ­ recheiam as páginas da publicação.

Os Beats é um projeto encabeçado pelo polêmico quadrinista Harvey Pekar (1939-2010), também influenciado pelas ações dos beatniks. Em um de seus últimos projetos, ele assina a maioria dos roteiros dos diversos contos.

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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Livro traz Segunda Guerra Intimista

A Segunda Guerra Mundial serve como bom cenário para histórias de ação. Mas além dos combates na linha de fogo, o drama de seus personagens conta com ingredientes que nos fazem lembrar que é capaz de haver humanidade em meio a barbárie. Uma das figuras presentes nos campos de batalha é apresentada por meio de A Guerra de Alan – As Memórias do Soldado Alan Ingram Cope (Zarabatana Books, R$ 49, 336 páginas). A graphic novel se distancia de outras publicações ao deixar de lado os acontecimentos veiculados aos momentos de conflito campal para trazer à tona lembranças pessoais de um jovem soldado convocado.

Tudo começa com a notícia de que Pearl Harbor havia sido bombardeada pelos japoneses. A ação fez com que milhares de rapazes fossem chamados para ajudar seu país. O leitor acompanha o norte-americano Alan Cope desde seu alistamento, passando pelo duro treinamento nas bases militares e chegando até seu encontro com os inimigos dos Países do Eixo. O projeto se estende o bastante para mostrar também a retomada de sua vida no difícil período pós-guerra na América e na Europa.
A incrível jornada do protagonista é repleta de relatos abertos e, em certos momentos, sem importância. Mas são nessas análises desnecessárias que está o brilho da obra. Os problemas de higiene das tropas, as broncas sem sentido dos militares superiores, as fugas na madrugada para pegar comida, algumas complicações devido a bebidas e a amizade feita com os companheiros de batalhão são alguns dos temas tratados nas centenas de páginas.
Os comentários extremamente intimistas cercam o livro de personalidade e de empatia capaz de satisfazer curiosidades que muitas pessoas devem ter e que nunca pararam para tentar descobrir a resposta. As emocionantes memórias do ex-militar ganham força com as fotos das páginas finais.

A HQ não teria o mesmo significado sem a bela amizade entre o verdadeiro Alan Cope (sim, ele realmente existiu) e o francês Emmanuel Guilbert, autor da obra.

"A Guerra de Alan é o resultado do encontro de um homem idoso, que tinha o dom de contar histórias de vida, e um jovem, que espontaneamente se sentiu compelido a escrevê-la e desenhá-la. (...) É um livro sobre um único homem, Alan Cope, e sobre o que ele viu, viveu, sentiu e estava desejando compartilhar comigo, 50 anos depois", explica Guilbert.

O rápido convívio de apenas cinco anos entre os dois foi o bastante para o vasto arsenal de pequenos contos. As conversas (em francês) tidas desde 1994, ano no qual se conheceram, se transformaram nos capítulos publicados em uma revista francesa. Cope morreu em agosto de 2009 e não conseguiu ver a primeira edição original do livro. Com certeza deixou este mundo com a sensação de dever cumprido.

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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Zumbis e Seu Retorno ao Estrelato

O universo sobrenatural sempre chamou a atenção do homem. Coisas que não estão sob seu controle causam, ao mesmo tempo, curiosidade e medo. A morte é a única certeza da vidas e por isso a tratamos sempre com respeito e temor. Nada mais natural do que se criar um monstro que consiga fazer com que o fim de nossa trajetória corra atrás das pessoas. De tempos em tempos, os zumbis ressurgem de seus túmulos para tomar conta das diferentes vertentes da cultura pop e voltar ao estrelato.

Caso você conheça pouco sobre essas estranhas criaturas sedentas por carne humana, grande parte das respostas está nas páginas de Zumbis – O Livro dos Mortos (Editora LeYa, R$ 44,90, 464 páginas). A publicação não é um manual de sobrevivência contra esses inimigos, mas conta com vasto material informativo que promete agradar em cheio cinéfilos que acompanham a inusitada carreira cinematográfica dos mortos-vivos.

"Escrevi o livro porque queria lê-lo. Sempre fui fã de filmes de zumbis e um dia me perguntei o que existia neles que me fascinava tanto", explica o jornalista Jamie Russel, autor do projeto.

Adotando estilo dos recentes almanaques, o livro mostra como a lenda sobre a criatura surgiu, os primeiros longas-metragens para o cinema na década de 1930, a popularização dos filmes pelo diretor George A. Romero e a recente fase de projetos para o cinema e televisão. Também há uma filmografia zumbi com títulos lançados no Brasil, como Cemitério Maldito (1989), a trilogia Uma Noite Alucinante (1982, 1987 e 1992), Extermínio (2002) (abaixo) e Terra dos Mortos (2005), e outros que não chegaram oficialmente por aqui.

É interessante analisar que o ponto inicial para a disseminação das histórias de zumbis foi o livro A Ilha da Magia, de 1929, no qual o escritor William Seabrook relata acontecimentos que vivenciou na então misteriosa ilha do Haiti. O conto influenciou o memorável filme Zumbi Branco (1932) (abaixo) e outras milhares de produções para as telonas.

Apesar de sua popularidade, os monstros sempre figuraram na sombra de outras criaturas pouco mais respeitadas, como vampiros e lobisomens. Seus filmes sem altos investimentos ficaram marcados com a estigma de 'filmes B'. Segundo Jamie Russel, "os zumbis são uma espécie de operários do cinema de horror. Há milhões deles. Os vampiros são mais como os aristocratas. Não tenho certeza se nós precisamos levá-los mais a sério".

O autor de Zumbis – O Livro dos Mortos levanta um importante ponto: os mortos-vivos são figuras modernas, originárias do século 20. Personagens importantes como Drácula e Frankenstein, por exemplo, possuem herança literária que lhes dão certo prestígio em comparação aos 'concorrentes'. "Quando estava escrevendo o livro, todos diziam: 'Quem se importa com filmes de zumbis?'. Ninguém mais diz isso. Os zumbis retornaram dos mortos!", afirma Russel.

A figura degradante dos zumbis causa repulsa, mas é notório que também nos deixa inquietos. Não à toa, é possível encontrar atrações com os macabros personagens em todos os meios. Eles estão rivalizando hoje com o popular universo vampirístico.

"É verdade que os vampiros predominam no mercado, tanto na literatura como no cinema, mas isso ficou tão saturado que abriu as portas para lobisomens, anjos e mortos-vivos", analisa Ademir Pascale, autor do livro Zumbis – Quem Disse Que Eles Estão Mortos?.

Um ponto à favor de sua manutenção na cultura pop de tempos em tempos é que eles têm a capacidade de se adaptar a diversos momentos históricos. Eles já representaram a sociedade norte-americana abalada pela grave crise financeira de 1929 e o consumo insaciável resultado pelo sistema capitalista.

O mais recente sucesso do meio surgiu com o seriado The Walking Dead. A atração televisiva tem como base para a adaptação a história em quadrinhos Os Mortos-Vivos, que voltou às bancas no Brasil graças ao sucesso da série. A literatura também foi influenciada e um ótimo exemplo é Orgulho e Preconceito e Zumbis, que traz versão trash do romance Orgulho e Preconceito, de Jane Austen.

Pascale acredita que a onda fez com que materiais de qualidade referentes ao universo dos zumbis cheguem até o público. "Os brasileiros lidam com maturidade com o tema e já existe uma grande gama de fãs sobre o assunto", diz o escritor, lembrando também as ações da Zombie Walk, na qual milhares de pessoas se fantasiam de mortos-vivos no Dia de Finados e seguem pelas ruas. O evento tem ocorrido nos últimos anos em São Paulo e em 2011 não será diferente.

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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Gaiman e Sua Obra-Prima Juvenil

Neil Gaiman é conhecido do grande público por seus trabalhos cheios de referências fantásticas e com histórias extremamentes criativas. Apesar da maioria de suas obras serem voltadas ao público adulto, um de seus contos mais populares é destinado aos leitores juvenis. Após ser levado aos cinemas em animação stop-motion em 2009, Coraline (Editora Rocco, R$ 48, 188 páginas) ganha versão em graphic novel que mantem o clima de fantasia e terror do livro original.

O universo das histórias em quadrinhos sempre pareceu um terreno seguro para uma adaptação do conto do escritor inglês. Muitas ideias de Gaiman parecem fáceis de serem imaginadas ganhando as mais instigantes ilustrações. Momentos como a casa que começa a se desmanchar e quando os ratos que se reúnem para personificar um homem são exemplos dessa bem-sucedida tradução.

Caso você ainda não conheça Coraline, ela se muda com a família para um antigo casarão que, de tão grande, também conta com outros moradores excêntricos que não conseguem acertar a pronúncia do seu nome. O espírito aventureiro da garotinha a leva até uma misteriosa porta que não leva a lugar algum. Durante uma tarde chuvosa e entediante, Coraline decide abrí-la e descobre que se trata de uma espécie de portal para uma realidade estranha comandada por seus 'outros' pais.

A adaptação para a HQ fica a cargo do quadrinista P. Craig Rusel, parceiro antigo do autor e com ilustrações em obras como Mistérios Divinos e a série Sandman. Os desenhos conseguem misturar realidade e fantasia para distinguir os dois mundos. Enquanto tons pastéis caracterizam o universo real, o sombrio e o colorido dividem espaço nos quadros que retratam a vida além da porta misteriosa.

O ótimo trabalho de Rusel lhe rendeu o Prêmio Eisner - o maior da categoria -­ de melhor publicação para o público adolescente na edição do ano passado. Ao elaborar um pequeno conto para sua filha Holly, Neil Gaiman descobriu que as possibilidades das histórias infantis também são infinitas.

O escritor consegue passar a mensagem de que é preciso ter cuidado com o que se deseja de maneira intrigante e que consegue agradar crianças e adultos. Destaque para pequenas tiradas sutis e alguns aspectos cruéis apresentados na trama. Não à toa Coraline chegou às telas de cinema e, agora, às páginas dos quadrinhos.

Sem grandes pretensões, Gaiman criou uma das mais populares histórias juvenis contemporâneas.

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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Franz Kafka Nos Traços de Robert Crumb

O cultuado escritor Franz Kafka (1883-1924) teve como característica falar sobre o homem simples que vive em meio à sociedade contemporânea. Suas mais conhecidas obras contam com personagens e aspectos que mostram a relação do ser humano em relação ao mundo de forma irônica, mas muito realista e que levam em conta experiências pessoais.

Os trabalhos e fatos da vida do tcheco ganham forma e ilustrações em Kafka de Crumb (Editora Desiderata, 184 páginas, R$ 39,90), com textos de David Zane Mairowitz e desenhos do controverso e popular Robert Crumb ­ que esteve na Festa Literária Internacional de Paraty deste ano.

A publicação não pode ser classificada apenas como um livro biográfico e se mantém interessante ao misturar traços de histórias em quadrinhos ao contexto histórico vivido pelo autor. O trabalho de pesquisa realizado por Mairowitz torna os leitores capazes de compreender, verificar e analisar os complicados questionamentos do escritor homenageado.

"Nenhum autor de nossa época, e provavelmente nenhum desde Shakespeare, foi tão mal-interpretado e ignorado", diz em um trecho.

As páginas trazem sua infância em um gueto judeu em Praga, na República Tcheca, passando pela juventude, o relacionamento conturbado com figuras de autoridade (casos do pai e do chefe em repartição pública), as dificuldades em lidar com as mulheres e o momento em que escreveu alguns dos textos mais complexos de todos os tempos. Detalhes como o vegetarianismo e o caos que isso causou na família e a preocupação com acidentes no ambiente de trabalho são revelados.

O fato de ser judeu o influenciou demais. Kafka presenciou tempos em que o nacionalismo tcheco crescia muito em relação a predominância alemã, resultando em ódio quanto a seu povo. Tais complicações fizeram com que sentisse raiva de suas raízes religiosas.

De acordo com Mairowitz: "A maioria dos judeus daquela época (ou de qualquer outra) absorvia a ameaça diária do antissemitismo e a interiorizava. Kafka não escapou dos sentimentos judeus de aversão..."

Vida pessoal e profissional se confundem e é neste momento que suas obras são apresentadas em HQ para o público. Estão presentes versões de A Toca, Na Colônia Penal, O Castelo, O Veredicto, Teatro da 'Natureza' de Oklahoma e Um Artista da Fome.


Não ficam de fora clássicos como O Processo, de 1914, que serve de base para o desenvolvimento da noção conhecida como kafkaniana, além de A Metamorfose, no qual narra as ações de Gregor Samsa quando acorda inesperadamente na forma de um monstruoso inseto.

Eles ganham o traço urbano de Robert Crumb. Com estilo rústico e underground, o ilustrador consegue manter em desenho a densidade encontrada nos textos de Kafka. As histórias são repletas de situações bizarras e que misturam tragédias e momentos engraçados, prato cheio para um Crumb que está acostumado a trabalhar com essa temática.O prefácio é assinado pelo cartunista gaúcho Allan Sieber. Conhecido pelo humor ácido e inteligente, ele reconhece o ótimo produto do livro.

"Desenho e texto encontram uma simbiose perfeita, em que o desenhista não perde personalidade nem compromete a obra do autor com firulas e maneirismos desnecessários. Parece fácil, mas não é. Kafka e Crumb, na verdade, têm muitas coisa em comum", diz. É o que se percebe durante nesta união de universos.

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segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Por Dentro da Pixar

As histórias emocionantes, os personagens carismáticos e as imagens impressionantes das produções dos estúdios Pixar não surgem por mera sorte. A empresa norte-americana emprega conceitos em sua rotina que fazem com que o trabalho de seus empregados não tenha a característica de emprego comum. O segredo de seu sucesso é revelado em Nos Bastidores da Pixar – Lições do Playground Corporativo mais Criativo do Mundo (Editora Saraiva, 184 páginas, R$ 44,90).

Escrito por Bill Capodagli e Lynn Jackson, o livro tenta provar porque os trabalhos da Pixar são diferenciados e agradam a todo tipo de público. Conforme as páginas passam, é perceptível que uma das principais características da companhia de animação é de que seus funcionários são adultos que não perderam a criatividade que tinham quando criança.

Nada representa tanto essa descrição quanto John Lasseter, gerente-executivo de criação dos Estúdios de Animação Pixar e Disney. Conhecido por suas camisas com imagens de desenhos animados, esteve envolvido com todos os filmes do estúdio: Toy Story (1995), Vida de Inseto (1998), Toy Story 2 (1999), Monstros S.A. (2001), Procurando Nemo (2003), Os Incríveis (2004), Carros (2006), Ratatouille (2007), Wall-E (2008), Up – Altas Aventuras (2009) e Toy Story 3 (ainda em cartaz e que acaba de se tornar na animação com maior rentável de todos os tempos).

Buscando a perfeição nas telas, o playground não tem pressa para levar suas novidades para as telas. “(...) a qualidade é o melhor de todos os planos de negócios”, diz Lasseter.

Ao longo dos anos, o chefe soube criar nos prédios localizados em Emeryville, na Califórnia, ambiente estimulante para roteiristas, animadores e desenhistas – todos escolhidos a dedo.

Os monótonos escritórios comerciais são deixados de lado para dar lugar a gigantes casas de bonecas, salas temáticas e corredores onde há figuras gigantes de personagens como o caubói Woody, o monstro Mike Wazowski, o robozinho Wall-E e a luminária Luxo Jr., símbolo da Pixar. Doces ficam à vontade para ser degustados e, caso o funcionário não esteja estimulado, ele pode dar um mergulho na piscina instalada no complexo.

Seguem algumas imagens do local:






O estilo moderno de administração muito se assemelha ao projeto organizacional bolado por Walt Disney (1901-1966), ídolo maior de Ed Catmull, cofundador do estúdio e presidente. Segundo Catmull, o objetivo do trabalho é fazer com que o público tenha a melhor experiência possível por muitos anos.

“(...) o teste definitivo para saber se John e eu conseguimos atingir nossa metas será a Pixar e a Disney continuarem a produzir filmes de animação que toquem a cultura mundial de forma positiva, muito tempo depois que tenhamos ido embora”, ressalta Catmull.


O livro funciona mais como guia para empresas e serve para inspirar futuros investidores. Os amantes das animações aproveitarão mais o Apêndice 2, nos quais os autores listam curiosidades da fábrica dos novos contos de fadas.

Entre os fatos revelados, está o de que o Bill Murray era o escolhido para dublar o patrulheiro espacial Buzz Lightyear, mas o ator perdeu os telefones dos diretores da Pixar e o papel acabou caindo nas mães de Tim Allen; e que o número original do potente Relâmpago McQueen seria 57, em homenagem ao ano de nascimento de Lasseter, porém a numeração do carro mudou para 95 em referência ao ano de lançamento de Toy Story, primeiro filme do estúdio.

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