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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Coppola Cada Vez Mais Livre


Nesta edição especial de Na Frente do Palco, não fomos conferir algum espetáculo teatral ou estivemos em meio ao público de um grande show de rock.

Em rápida visita ao Brasil, o cineasta norte-americano Francis Ford Coppola conversou na tarde desta quarta-feira (01/12) com a imprensa para divulgar seu novo filme Tetro, que estreia nos cinemas dia 10. Além de comentar sobre o longa-metragem, o veterano diretor norte-americano mostrou disposição para falar sobre a atual fase livre e autoral e deu seu ponto de vista sobre o futuro da indústria cinematográfica citando, inclusive, a utilização - ou não - da tecnologia 3D nas produções.

"Mesmo trabalhando em filme grandes, sempre quis fazer obras autorais. Hoje estou em uma posição na qual posso fazer qualquer filme que desejar", afirmou o bem-humorado Coppola. "É um privilégio poder fazer um filme sem ter de convencer alguém a te dar dinheiro." O grande motivo desta fase autoral se deve ao fato de ter ganhado milhões e milhões de dólares ao longo de 50 anos de carreira e atualmente consegue arcar com os custos de seus projetos.

Em Tetro (abaixo), ele retoma os dramas familiares já mostrados em seus filmes anteriores ao relatar a tensão existente entre o personagem-título e seu irmão mais novo, Bennie. O jovem sempre teve Tetro como ídolo e o reencontra anos depois vivendo como um escritor frustrado em Buenos Aires, na Argentina. Conforme os dias passam, o jovem descobre que os rancores do irmão se devem a antigos conflitos com o pai, um famoso maestro.

Responsável por sucessos como a trilogia O Poderoso Chefão (cujos filmes foram lançados em 1972, 1974 e 1990), Apocalypse Now (1979) e Drácula de Bram Stoker (1992), o cineasta prefere manter distância das salas comerciais. Segundo ele, a nova safra de produções de Hollywood apenas recicla antigas histórias e observações. "Gosto de ver filmes independentes, experimentais e de baixo orçamento porque são originas e não trazem as mesmas ideias que já conhecemos."

As novas tecnologias disponíveis no mercado fazem com que as questões técnicas acabem se sobressaindo sobre a arte por trás do cinema. Um desses apetrechos é a revolução digital causada pelas atuais produções em 3D. Na visão de Coppola, a terceira dimensão deve acrescentar algo ao filme e não ser seu principal destaque.

"Cinema é uma arte que une a história e a interpretação. Acho espetacular que o cinema comercial busque a tecnologia para ajudar no entretenimento, mas a arte nunca deve ser deixada em segundo plano. O 3D é a menor das preocupações", explica.

Acostumado a lidar com grandes astros, casos de Marlon Brandon (1924-2004), Al Pacino, Robert Duvall e Martin Sheen, o diretor teve de trabalhar em Tetro, no qual é o protagonista, com o ator Vincent Gallo, conhecido pela fama difícil. Mas as complicações que poderiam surgir durante as filmagens não ocorreram e Coppola sempre soube tirar o máximo de seu elenco. "Atores têm má reputação. Seja qual for os problemas deles é porque estão desacreditados. Nunca tive problemas com ninguém pois sempre os apoiei e isso os ajuda."

See You in The Other Post

terça-feira, 23 de março de 2010

Espetáculo Cats em sampa!!!


Show de dança e música! É isso que você espera de um grande musical? Então se prepara para desembolsar um graninha para assistir a peça da Brodway Cat's.


Fui assistir a peça na semana passada e tenho muitos elogios para fazer, apesar de um detalhe que não estraga a peça se você prestar atenção a peça toda. Então foque um pouco para assistir essa peça que é umas das mais famosas da Brodway.

Bastante falada e comentada, não é para menos. A peça conta com atores muito bem ensaiados e cantores com vozes muito boas. Vale a pena conferir.

Antes de começar a falar sobre qualquer coisa, a montagem de palco é muito legal! Com a mostra de tudo em tamanhos enormes, num lixão, com ícones gigantes, dando a impressão da visão dos gatos, as luzes e as funcionalidades do palco resolvem a narrativa e fazem o espetáculo estar completo.

Além disso o figurino dos atores indicam a personalidade de cada personagem, dando a caracterísca do gato sábio, do malandro, do imponente e heróico, da inocente. Características presentes além da atuação, estando a par da vestimenta de cada personagem e das canções e danças.


Para que você que esteja interessado em ver essa peça, preste atenção! A peça tem alusões muito legais sobre a sociedade e sobre o reinício. Para quem não sabe, a peça conta uma noite na vida intensa dos gatos, mostrando preconceitos, vivências de alguns dos personagens. Coisa que eu só fui descobrir assistindo a peça.

A sinopse é do site oficial da peça:
Meia-noite. Nenhum som no beco. Luzes de um carro rasgam a paisagem escurecida da noite e revelam momentaneamente a imagem de um felino correndo. Um por um, gatos curiosos emergem. É a noite especial deles, quando a tribo Jellicle Cats se reúne para escolher seus melhores. O líder do grupo, o sábio e benevolente Old Deuteronomy, anunciará qual deles irá para um lugar especial chamado "Heavyside Layer", onde poderá renascer para uma nova "vida Jellicle". Só um dos gatos não compartilha da euforia do grupo: a triste Grizabella (Paula Lima), que abandonou os companheiros anos antes para explorar o mundo lá fora e agora é desprezada por sua escolha.


A história de Cats foi baseada em 14 poemas do livro infantil Old Possum’s Book of Practical Cats, publicado a primeira vez em 1939, com ilustrações do próprio autor, o poeta americano T.S. Eliot.

Confesso que por não saber isso, me pedi um pouco no começo. Isso não tira o mérito da peça que se manteve fantástica do começo ao fim!

Agora que você já sabe a sinopse e o que eu achei da peça, não perca tempo e vá ver!!! É uma peça muito legal!!! Músicas e danças excelentes e os atores são muito bons! Nota 10!

Aproveite enquanto está rolando!!!

Cat's está no Teatro Abril e vai rolar até o dia 18 de abril, o preço varia de 70 reais à 220 reais a inteira.

Para saber mais sobre a peça entre no site oficial: www.musicalcats.com.br

Um abraço maluco doido!

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Blue Man Group volta a São Paulo

Um dos grandes símbolos da cultura pop mundial são os grandes concertos de rock. Filho dessa cultura, o Blue Man Group (grupo homens azuis) retorna hoje a São Paulo para minitemporada no Credicard Hall até o dia 13. Os ingressos custam de R$ 60 a R$ 260. Eles estiveram no Brasil pela primeira vez em 2007.

(Fotos: Fernando Nonato)

As apresentações fazem parte da turnê Megastar World Tour, na qual o trio faz homenagem aos shows de rock. “Há seis anos, nos perguntamos o que aconteceria se o Blue Man Group estivesse em um concerto de rock. Nos baseamos na sensação de quando éramos garotos e fomos a apresentações desse tipo”, diz Ryan Scott, quarto componente do grupo e atual diretor de elenco do espetáculo. “Somos um grupo de teatro, mas o que apresentamos é a mistura de grande concerto de rock ‘n’ roll com comédia. É uma espécie de sátira desse tipo de vida.”

Para ter uma noção de como é o espetáculo, dá o play no vídeo abaixo.


Scott (abaixo, entre os homens azuis) trabalha na atração há 12 anos e comecou como um dos atores no palco. Depois, passou para a direção e hoje recruta e treina aspirantes a Blue Man. A formação dura em torno de seis a oito semanas e o diretor busca atores e músicos de qualidade, com boa expressão corporal e carisma.

Os ingredientes são encontrados no misterioso trio de performers. O início é marcado por um intrigante jogo de luz e brincadeiras com sombras em um gigante pano que cobre o palco. A música agitada, mantida por uma banda e dois cantores, se mistura com incomuns sons que o divertido trio retira de instrumentos feitos de PVC, antenas de fibra de vidro, cítaras, pianos desmontados e outros criados pelo próprio grupo.

Há ainda tambores que jorram tinta quando batucados. As apresentações abarcam música, vídeo, pintura, circo, teatro, animação, vaudeville e performance. Sempre sérios e pintados por uma tinta azul especial – que aparenta estar fresca o tempo todo – fazem do olhar dos atores o principal meio de contato com o público.

Segundo Scott, o público de cada país tem uma maneira de lidar com o trabalho. “Causa sensações diferentes em cada um. Nós buscamos essa conexão e tem sido gratificante.” Em sua segunda passagem pelo Brasil, o grupo prepara surpresas para quem assistir ao espetáculo. O quarto integrante revela que todos estão empolgados com o regresso para o País após dois anos e que decidiram nos homenagear. “Conhecemos a música brasileira e trabalhamos com ela. Vamos fazer um tributo a Roberto Carlos e à Copa do Mundo, que é uma das paixões do Brasil.”

Como eles irão incorporar os 50 anos de carreira do Perninha e a paixão dos brasileiros pelo futebol a seu espetáculo não sabemos, mas a competência para os criadores de uma das melhores performances do mundo faz com que a curiosidade seja mais um motivo para assisti-los ao vivo.

See You in The Other Post

quarta-feira, 13 de maio de 2009

A Bela e a Fera

Quem é fã da Disney levanta a mão!! Nada melhor do que uma produção feita pelos estúdio de Mickey e cia. para nos levar a um mundo fodástico, muito legal, divertido e onde tudo pode acontecer. O que acham de conferir uma adaptação para o teatro de um de seus melhores trabalhos?


Após sete anos e cerca de 500 mil espectadores em seus 18 meses em cartaz em todo o Brasil , retornou aos palcos de São Paulo o musical A Bela e a Fera, franquia do espetáculo da Broadway baseado no desenho dos estúdios Disney. A segunda temporada ocorre novamente no Teatro Abril - Avenida Brigadeiro Luís Antônio, 411. Tel.: 2846-6060 -, com sessões de quarta a domingo. Os ingressos, que custam entre R$ 35 e R$ 240, estão à venda no local, postos autorizados e pelo ticketmaster. A temporada encerra em 26 de julho.
A adaptação do conto francês tem 2h40 de duração (com intervalo de 20 minutos) e conta a história de um príncipe egoísta que vivia isolado em seu castelo em uma terra distante. Ao negar ajuda a uma senhora, que é na verdade uma feiticeira, ele acaba sendo transformado em monstruosa fera e seus empregados tornam-se objetos encantados.

A bruxa lhe deixa como presente uma rosa mágica. Para desfazer a maldição, o príncipe deve encontrar o amor antes que a última pétala da flor caia. Após dez anos, as esperanças para os moradores do castelo parecem ter acabado, mas a jovem Bela pode ser a salvação que esperavam. Se você não conhece essa história, sua infância não foi nada feliz...

Segundo o diretor da peça Augusto Thomas Vanucci, o espetáculo é um prato cheio para todo o público. "Trata-se de uma história universal. Qualquer um que nunca viu um musical pode assistir à peça e se encantar. É um espetáculo de entretenimento para toda a família", diz. A estrutura da peça continua idêntica, com os mesmos cenários e efeitos (incluindo alguns fogos de artifício), figurinos, maquiagens e canções. Uma orquestra acompanha os atores nas trilhas musicais. Toda a estrutura é comprada da Disney lá nos EUA e quase tudo é enviado ao Brasil para que o projeto não seja modificado por terceiros e manche a boa produção dos “produtos” da marca norte-americana.

A alteração ficou por conta do elenco, todo reestruturado. Assume o papel de Bela a cantora e atriz Lissah Martins. "Fiquei sabendo que a peça estaria voltando para este ano e falei: 'É o musical da minha vida. Preciso fazer a audição'", conta a jovem. "Acho que é o sonho de toda menina ser a Bela e vestir aquele vestido amarelo." Revelada na banda Rouge, do reality show PopStar do SBT, Lissah teve de deixar para mais tarde a oportunidade de gravar um disco solo. O projeto já estava em andamento quando estava em turnê com Miss Saigon, sua estreia nos palcos, e foi deixado novamente em segundo plano para ser uma das protagonistas de A Bela e a Fera.
Ao seu lado, o ator Ricardo Vieira interpreta a Fera e se empolga com a transformação do personagem. "O interessante é observar a trajetória do monstro rude que começa a se apaixonar e a relembrar que é um ser humano", comenta. Ricardo já é um veterano em musicais. Em seu currículo constam participações em Grease, My Fair Lady e na primeira versão de A Bela e a Fera. Em 2002, ele interpretava Monsieur Dark, dono do hospício do vilarejo próximo ao castelo. A despretensiosa audição para o novo emprego chamou a atenção dos diretores. Segundo ele, fez o teste para fazer parte do espetáculo sem a menor expectativa de ser a Fera. "É um presentão."
Não sei se sou a pessoa mais indicada para falar sobre algo relacionado a Disney já que sou um grande fã e confesso pagar um pau para tudo o que eles fazem (convenhamos que é muuuuito difícil eles fazerem algo que não preste), mas o musical é, praticamente, o desenho em sua forma real. Tudo está ali. Os atores fazem interpretações bem convincentes e caricatas dos personagens, incluindo o elenco de apoio. Apesar de estranho no começo, a máscara da Fera não parece tão ridícula com o passar do tempo. A presença da orquestra faz com que você sinta a vibração das músicas – que são iguais aquelas do desenho.


Talvez para muitos críticos o espetáculo não seja dos melhores, mas não tem como não se divertir e se emocionar com a história de A Bela e a Fera. Apesar de baseado em uma animação, o musical tem potencial para agradar a várias faixas etárias. Se você não viu na primeira vez e ainda não viu agora, chame os amigos, as namorada e sua família para ir ao teatro. Ei, mas quem sou eu para recomendar algo da Disney??

Fotos: Claudinei Plaza

See You in The Other Post

terça-feira, 5 de maio de 2009

O caderno da morte


Senhoras e senhores. Nesse final de semana 3 dos trashers foram ver a peça "O Caderno da Morte". Uma peça adaptação do mangá "Death Note". Uma obra muito conhecida no Japão e vem conquistando fama nas terras ocidentais também.

Pra quem não conhece, vou falar um pouco do mangá. Death Note é escrito por Tsugumi Ohba e ilustrado por Takeshi Obata. Se tornou famoso com uma história densa e empolgante. Ganhou uma versão live Action em dois filmes com o mesmo título, além é claro do anime.

Em terras tupiniquins a Cia Zero Zero de teatro fez uma ótima adaptação dessa história. Essa companhia de teatro é constituída por atores que se formaram na Unicamp e já trabalhou com grandes atores. Algumas de suas peças chegaram a ganhar prêmios bacanas. A diretora Alice K. é uma diretora de calibre, atuou em grandes peças e estudou muito sobre o Japão para nos trazer essa peça.


Na peça (no manga e no filme), a história fala sobre um jovem garoto chamado Raito que encontra um caderno estranho. É o caderno da morte onde quem tiver seu nome escrito nele morrerá. Raito então utiliza esse caderno para fazer justiça com suas próprias mãos até se tornar um serial killer. Nesse meio tempo um time de investigadores formado pelo pai de Raito e L (o melhor detetive do mundo) fazem de tudo pra descobrir quem é Kira (alcunha pela qual o assassino fica conhecido). Personagens como o real dono do caderno, o Shinigami Ryuuku (um deus da morte) encontra o novo dono do caderno para ser uma espécie de consciência e trazer o personagem principal numa trama forte entre o certo e o errado botando em questão os princípios da lei.


A peça chega ser mais completa que o mangá e o filme por ter além da narrativa que é feita não só para os fãs da série, mas também para os que não conhecem, tem alguns alívios cômicos com referências pops muito interessantes. O uso de um cenário muito criativo e profissional, ensaios extremos para cenas mais elaboradas em termos de diálogo e um número surpreendentemente pequeno de atores, que se caracterizam e descaracterizam para fazer parecer que tem o dobro de atores, interpretando extras e personagens secundários.

Atuações memoráveis e carismáticas, uma direção firme, artifícios criativos de iluminação e de posicionamento de palco. Essa peça é algo que eu nunca vi: profissionais fãs realizando um trabalho emocionante e altamente competente. Os atores são extremamente simpáticos ao conversar com o público, solícitos, interessados nas reações, só podemos tirar a conclusão de que amam o que fazem. E é assim que se faz arte da melhor maneira possível.



Sinceramente, quando ouvi a primeira vez sobre a peça, quando começaram a apresentação em Campinas, achei que fosse uma iniciativa de otakus que usam Cosplay. Assistir a peça me trouxe outro parâmetro e me provou que eu estava completamente enganado! E a prova de que a peça atinge inclusive quem não é fã de mangá é o nosso colaborador Silas, que integrou a equipe assistindo a peça e ele diz que: "Cresci vendo Dragon Ball Z e Cavaleiros do Zodíaco, Samurai X, Patlabor. Pouquíssimos artistas no mundo conseguem realizar obras tão completas, intensas, poéticas ou enlouquecedoras como Paprika, Akira, Vagabond, e tudo o que o Hayao Miyazaki toca. Mas tenho aversão extrema à Animeinvasion. Aparentemente tudo revolve ao redor de histórias fracas e personagens posudos, lembrando demais HQs americanas. Então, qual foi minha surpresa ao ver uma peça de teatro baseada num animê recente, e uma peça excelente. A história é muito bem trabalhada, conseguindo explicar tudo de importante mesmo àqueles que nada sabem da trama." (Veja o que o Silas achou por completo aqui)

Conheçam um pouco mais da peça e como eles estão, além de saber onde está rolando a peça. Todas as informações legais no blog deles: http://cadernodamorte.blogspot.com/


Esse post foi uma colaboração de Gravata, Silas e Yuki

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Show Kiss é o mais performático e completo


Eram fogos de artifício, labaredas, fumaça, Gene voando e cuspindo fogo e sangue. O show mais performático que já vi!

Sim, senhoras e senhores, estou falando do show da banda Kiss, que rolou no Arena Anhembi aqui em São Paulo na terça-feira, dia 7 de abril, depois de 10 anos sem dar as caras por aqui.

O show contou com 37 mil pessoas para fazer barulho junto as músicas da banda e aos fogos de artifício. Essa foi a celebração dos 35 anos da banda e fizeram o show da turnê do álbum Alive, lançado em 1975.


No concerto, a abertura ficou por conta da banda Dr. Sin, que apesar de chegarem com músicas boas e se auto intitularem uma das melhores bandas do Brasil, levantaram o público em uma música apenas, que foi "Futebol, Mulher e Rock'n Roll", aparentemente a única que todo mundo conhece. Uma performance competente, e sabiamente curta.

E entrada de Kiss começou exatamente no horário marcado. Às 9h30, os alto-falantes soltaram um bem-vindo “Won’t Get Fooled Again”, do The Who. Na hora do clássico grito de Pete Townshend, uma cortina gigantesca cobriu o palco. Todos já sabiam que o momento chegara. "You wanted the best, you got the best!" e você sabe o resto. Essa cortina caiu, e Gene Simmons lançou um berro de boa noite, emendando Deuce. Começava um show completo na forma Kiss de ser.



Para quem nunca tinha visto um show do Kiss antes, (e haviam muitos pais levando seus filhotes para ver um pouco de Rock-Espetáculo) é uma experiência única. Performático ao extremo, a banda esteve com a metade da formação original. Paul Stanley e Gene Simons, fundadores da banda, que trouxeram os músicos Tommy Thayer (guitarra) e Eric Singer (bateria). Mas nem por isso o show perdeu a força, e sim ganhou. Eric Singer, baterista que chegou até a gravar a bateria do projeto Avantasia, demonstrou que podia ir muito além da simplicidade musical das músicas do Kiss, assim como Thayer mostrou sua classe solando um pouco de The Who, no meio de "Lick It Up", e até mesmo Beethoven.

Musicalmente, não há do que reclamar. Kiss é simples, curto e grosso. Ninguém espera ouvir solos de guitarra complicadíssimos ou virtuosidade musical. Esperam é erguer o punho junto com 30 mil pessoas enquanto entoam o hino "Rock'n Roll All Nite". Diversão pura. O bom é que houveram algumas improvisações muito bem vindas. Tommy Thauyer com seus solos bacanésimos, e algumas brincadeiras, como por exemplo antes de tocar "Rock and Roll All Nite", Paul Stanley tocou uma palhinha de "Starway to Heaven" do Led zeppelin, levando o público a enlouquecer, antes de Stanley cortar o barato lembrando que estavamos num show do Kiss. A primeira parte do show contou só com clássicos do início da carreira, como "Black Diamond" e "Let me Go, Rock'n Roll". Mesmo sem a formação original, a banda está em boa forma.


Então eles tocaram "Rock'n Roll All Nite". A partir daí a temperatura subiu e a insanidade foi além dos limites. Um combo de canções que todo mundo conhece, sem parar nem desanimar.

Muitos fogos e labaredas. A bateria de Eric Singer flutuando 3 vezes durante o show, uma delas durante seu eficiente solo. Gene Simmons cuspiu fogo depois da música "Hotter than Hell". Um pouco mais tarde, num dos momentos mais memoráveis do show, vomitou seu tradicional sangue, antes de voar até uma plataforma no topo do palco para puxar "I love it loud". Claro que o Paul Stanley não podia ficar de fora, e depois de arrancar odes ao próprio nome da platéia, viaja por um cabo por cima do público até a torre de som no meio da pista para disparar "Love Gun". "Rock and Roll All Nite" teve papel picado sendo espalhado pelos céus do local, papéis que na verdade eram tatuagens com o logo da banda.

Algumas poucas reclamações. O show foi completo com lança chamas e sirenes, mas os telões tiveram problemas durante o concerto. Falhas e chiados na imagem quase tornaram o painel do lado esquerdo do palco inutil. Além da Voz de Paul Stanley, que no começo do show falhava um pouco por causa de problemas técnicos, problema audível mesmo durante a apresentação do Dr. Sin. Sua estranha rouquidão dava a impressão que ele berrou muito no dia anterior. Mas com o aquecimento da voz ele foi melhorando ao percurso do show.

Festa e alegria. A felicidade estava estampada no rosto de todos. O público cantou com toda a força até mesmo "I was made for lonvin' you", canção abominada pelos fãs xiitas. Dançando, explodindo em êxtase, as 37 mil pessoas ao terminar de bradar "Detroit Rock City" receberam um céu cheio de fogos de artifício para comemorar. Na saída, os speakers soltavam a versão Kiss de "God Gave Rock'n Roll to You", e o público não errava um refrão, todos unidos, carregando essa experiência para suas casas. Inesquecível é pouco para essa noite, no meio da semana, em que a banda-empresa realizou o que sabe fazer melhor: um espetáculo headbanger de primeira.

Bom, para vocês terem um gostinhos temos alguns vídeos. Olha só esse de Rock and roll all Nite:


Alguns outros:
I was made for lovin' you
Black Diamond
Love it loud
Love Gun
Fogos no fim do show
Sangue do Gene Simons

A set lista foi essa:
“Deuce”
“Strutter”
“Got To Choose”
“Hotter Than Hell”
“Nothin' To Lose”
“C'mon and Love Me”
“Parasite”
“She”
“Watchin'”
“100,000 Years”
“Cold Gin”
“Let Me Go, Rock 'N' Roll”
“Black Diamond”
“Rock And Roll All Nite”
“Shout It Out Loud”
“Lick It Up”
“I Love It Loud”
“I Was Made For Lovin' You”
“Love Gun”
“Detroit Rock City”

Mega show bombástico e performático. Parabéns aos quase sessentões do Kiss.

Esse post teve contribuição do Silas

Um abraço maluco doido

terça-feira, 7 de abril de 2009

Na frente do palco - Avenida Dropsie


Eu não sei vocês, mas eu tenho a mania de ficar reparando nos estereótipos de pessoas no Metro: ‘aquele cara parece um gangster russo’, ‘olha aquele, parece o Silas se fosse alto’, ‘um lutador de boxe dos anos 40’ e por aí vai. Eu imagino que foi algo parecido com isso que Will Eisner fez para escrever e desenhar ‘Avenida Dropsie’ (Devir, 2004).

Tanto a peça como a graphic novel retratam um pequeno bairro americano e seus moradores. Provavelmente cheio de cenas que o próprio Eisner assistiu.



Escrita e dirigida por Felipe Hirsch para a companhia teatral Sutil, em cartaz para a comemoração dos seus 15 anos. Hirsch pesquisou e estudou as obras de Eisner e chegou a Avenida Dropsie no projeto Sketchbook (qualquer semelhança com este blog é mera coincidência, ou não) por ser a obra mais pessoal de Eisner. Não que a peça se atenha a esta obra, trechos de ‘Contrato com Deus’, ‘Outras Histórias de Cortiço’ e ‘Pequenos Milagres’ são reconhecíveis.

A cenógrafa Daniela Thomas nos apresenta uma fachada onde se desenrola toda a ação, nas janelas, degraus, portas e mesmo na rua. As ‘cenas’, se é que podemos chamá-las assim, são pequenos sketches (nada a ver conosco, ou não rs), pensamentos, percepções, histórias que Will Eisner nos conta através das narrações de Gianfrancesco Guarnieri. Que dá um ar mais nostálgico ainda à peça, nos trazendo um toque pessoal da infância do quadrinista do original.



Claro que não é só através da voz do renomado ator que Eisner fala com o público, numa tela transparente em frente ao palco são projetados trechos da obra e em alguns momentos ‘balões de pensamento’ dos atores, fazendo referência clara aos quadrinhos onde se originou a história. Homenagem aos quadrinhos também se nota nos tons pastéis dominantes na peça, já que o original foi criado com o efeito sépia, aquele 'amarelado' de fotos antigas.



Integram o elenco: André Frateschi, Duda Mamberti, Erica Migon, Guilherme Weber, Jorge Emil, Leonardo Medeiros, Magali Biff e Maureen Miranda.

A peça foi elogiada pela crítica nacional e recebeu quatro indicações ao prêmio Shell (um dos mais reconhecidos nacionalmente). Esteve em cartaz até o dia 05 de Abril onde nós do SketchTrash fomos prestigiar (eu pela segunda vez!), agora a peça segue em várias outras localidades do Brasil e exterior.

Este post foi uma colaboração minha e do Yuki.

See you Space Citizen.

sábado, 28 de março de 2009

Na frente do palco - Just a Fest



“Show é o resto, isso que o Radiohead fez deve ter outro nome!”.

Estas foram minhas primeiras palavras após o fim do Just a Fest, festival brasileiro recém-nascido onde se apresentaram neste ultimo domingo (22/03/09): Los Hermanos, Kraftwerk e Radiohead. Frase que para mim expressa muito bem a sensação ao final da festa. Sou fã de duas das bandas que participaram, estão esperem opiniões bem tendenciosas daqui para frente. rs


A organização colaborou e os Los Hermanos subiram ao palco no horário prometido, 18h30. O quarteto acompanhado pelo trio de metais que a muito não tocava com eles esteve muito à vontade no palco. Camelo e Amarante tiraram versos e refrões inteiros das cerca de trinta mil pessoas presentes no evento. Marcelo pareceu mais descontraído, conversava e brincava com a platéia, Rodrigo, estava mais introspectivo, mas não menos emocionado. Os quatro Hermanos tocaram músicas de todas as fases da banda, inclusive algumas que tiveram muito pouco contato com o formato ‘ao vivo’, como “Cher Antoine”.

A abertura do show com o quarteto carioca foi mais uma celebração, como uma festa de recepção a um amigo que por muito tempo esteve distante. Público e banda mataram as saudades um do outro e celebraram juntos entoando canções que ambos sentiam saudades. Fica agora o desejo do retorno.


Passada a euforia da abertura, que um pouco de garoa ajudou a acalmar, subiu ao palco o robótico e preciso Kraftwerk. Outro quarteto, mas este diferentemente do primeiro não faz dancinhas alucinadas e nem interage muito com o público. Não que eles precisem ser algo diferente, o Kraftwerk é famoso por ser assim. Parte do show são as imagens que rolam nos dois telões laterais do palco e um ao fundo. Os alemães mostram seu lado V.J. (não os da MTV que na verdade distorceram a real função dos Vídeo Jockeys) interagindo e, em alguns momentos até, traduzindo suas músicas com vídeos. Tornando a experiência do show algo maior.

O pioneirismo destes vovôs da música eletrônica é reconhecido até por seus influenciados, incluído aí o Radiohead. Discos como ‘Kid A’ e ‘Amnesiac’ são reflexos da música eletrônica em seus primórdios, que é onde o Kraftwerk ascendeu.


Diferentemente do que muitos pensavam, que grande parte do público tinha ido ver apenas os Hermanos, a platéia se apinhou como nunca após o show do quarteto eletrônico. Todos em busca de uma frestinha para ver um Thom, um Ed ou um Johnny. E assim que o quinteto finalmente subiu ao palco a euforia voltou.
Na primeira música ’15 Step’ os ingleses pareciam estar testando o público brasileiro, talvez incertos da resposta que teriam. O resultado foi que logo na segunda música, ‘There There’, mostramos que aquelas pessoas ali não eram estranhos. Eram trinta mil fãs que esperavam por mais de uma década por aquele momento. De ‘There There’ em diante a banda se soltou, o sempre simpático Ed O’Brian brincava com a platéia, Colin (o mais animado) pulava, incentivava a platéia e recebia eufórico o coro com seu nome, Johnny sempre introspectivo parava por alguns momentos e contemplava as pessoas ao seu redor, Phil foi preciso e compenetrado todo o show e Thom se soltou mais e mais a cada música, chegando a provocar riso no público brincando com a câmera que o filmava em ‘You and Whose Army?’.


‘In Rainbows’ reinou na noite, foi tocado na integra. ‘Kid A’, ‘Amnesiac’ e ’OK Computer’ também apareceram bastante, ‘Pablo Honey’, ‘Hail to the Thief’ e ‘The Bends’ foram mais tímidos. Eu como todo fã, tinha um setlist bem diferente em minha mente e senti falta de músicas como ‘I Might be Wrong’, ‘Airbag’, ‘2+2=5’, ‘Go to Sleep’; enfim, cada um tem suas preferidas, mas o Radiohead foi coerente e agradou quase a todos. Inclusive tocando ‘Fake Plastic Trees’ e ‘Creep’ num ultimo bis inesperado. ‘Adivinhem qual é esta!’ disse Thom ao subir ao palco para cantar a despedida do Radiohead em São Paulo.


Lá no começo eu disse que o que o Radiohead fez naquela noite foi algo além do mero ‘show’, do alto do palco desciam grandes tubos luminosos que faziam um show a parte, trocando de cores e se adequando ao ‘clima’ de cada música, chegando até a 'fazer chover' no palco em 'Paranoid Android'. Enquanto ao fundo rolavam imagens dos cinco músicos filmadas em tempo real. Uma pequena evolução no âmbito do entretenimento musical.


Li um tempo atrás em uma revista, uma frase que para mim se provou verdadeira neste show, “O futuro da música pertence ao Radiohead”. Eu completo dizendo: Hail to the Radiohead!



See you Space Cabeça de Rádio.