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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Esperança Para Superar a Melancolia

 
Os dramas da Segunda Guerra Mundial sempre rendem histórias repletas de carga emocional. Em um ambiente no qual o mundo talvez tenha vivenciado o auge da desolação, há muito para se explorar além da ação dos combates. São com essas possibilidades sentimentais que o escritor australiano Marcus Zusak lançou em 2005 o romance A Menina Que Roubava Livros, que não demorou para se transformar em um best-seller mundial.
Claro que o sucesso do livro chamou a atenção de Hollywood e sua versão para as telonas chega hoje às salas brasileiras. O longa-metragem acompanha a vida da pequena Liesel (Sophie Nélisse), recém-adotada pelo casal Hans (Geoffrey Rush, sempre competente) e Rosa (Emily Watson). Ela acaba de perder a família e, com a ajuda do amoroso novo patriarca, descobre a paixão pela leitura. O universo de palavras e a possibilidade de se jogar em outras realidades funciona como válvula de escape para que a garotinha esqueça os problemas que a envolvem, como a falta de comida em casa e a ida de entes queridos para a guerra.
Mas não só do furto de livros vive o roteiro. Como outros filmes do gênero, caso da também adaptação O Menino do Pijama Listrado (2008) – e com o qual parte do público deve comparar o trabalho do diretor Brian Percival (com carreira no comando de séries, entre elas a elogiada Downton Abbey) – a ideia é apresentar os dramas da Segunda Grande Guerra de um ângulo mais humano.
Liesel compreende a importância de Hitler para a Alemanha onde mora, mas não tem ideia do que uma simples resposta torta para um soldado pode custar. A chegada de um inesperado visitante à sua residência na calada da noite aflora seu amor pelo próximo e pelos romances que devora. Neste conto onde a morte observa tudo, a Rua Paraíso é melancólica. Não espere sair da sala com lágrimas de alegria. A tristeza carrega o filme desde o início.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Um Astro Chamado James Dean

 
A passagem de James Dean (1931-1955) pelo universo do cinema foi curta, mas importante o bastante para movimentar toda uma geração nos anos 1950 e colocar seu nome entre as maiores estrelas de Hollywood de todos os tempos. O topete estiloso, a cara séria e a atitude de um típico bad boy (em frente e longe das câmeras) ajudaram a construir a imagem do que hoje é considerado um inquestionável ícone cultural.
Seis décadas depois de sua morte, o Centro Cultural Banco do Brasil (Rua Álvares Penteado, 112. Tel.: 3113-3651), em São Paulo, celebra seu legado na mostra Eternamente Jovem – Retrospectiva James Dean. A programação começa amanhã com reunião de títulos estrelados pelo ator norte-americano e produções que se aventuraram a tentar traduzir todo um fenômeno construído nas costas de um rapaz de 24 anos. Os ingressos custam entre R$ 2 (meia-entrada) e R$ 4 e as atividades seguem até dia 16 de quarta a segunda-feira.
Entrarão em cartaz um total de 38 produções realizadas entre 1951 e os anos 2000. “As pessoas sempre falam sobre os mesmos três filmes famosos (Vidas Amargas e Juventude Transviada, ambos de 1955, e Assim Caminha a Humanidade, de 1956), mas ele já havia construído uma forte carreira nos teatros filmados que passavam na TV dos Estados Unidos. James já chegou ao cinema como um ator pronto. Coloquei essas obras para desmistificar um pouco essa ideia de astro de poucos filmes”, explica o jornalista carioca Mário Abbade, curador da retrospectiva. “Também separei documentários interessantes que exploram o James por diversos ângulos. Quis pegar e disponibilizar o máximo possível de informações para que o público pudesse ter acesso a muitas coisas que circulam seu universo. É preciso fazer um bom recorte.”
Abbade tem pesquisado a vida e obra de James Dean há 30 anos. Para a montagem da mostra, ele separou alguns itens a serem exibidos em película de 35 mm nas telonas. Entre os destaques da programação estão um dos encontros do astro com a também icônica Elizabeth Taylor (1932-2011) no drama Um Lugar ao Sol (1951); James Dean, o Mito Sobrevive (1982), no qual mulheres de um fã-clube recordam histórias sobre o ídolo; e a cinebiografia James Dean (2001), com o ator James Franco (abaixo) dando vida ao homenageado.
A curta carreira não para de gerar falsas verdades e questionáveis mentiras em torno do saudoso galã. “Muitas histórias não são comprovadas e pouco se sabe o que é realmente legítimo sobre ele. Cada descoberta acaba por gerar outro material. Descobri que o James deveria ter mais de 400 vidas para fazer tudo o que falam. O mito cresce em torno dessas dúvidas. É parte da graça”, afirma o curador.
Toda a programação e mais informações sobre a mostra Eternamente Jovem estão na página da unidade da Capital no site do centro cultural.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Frankenstein Ganha Versão Moderna

Esqueça o clássico conto Frankenstein. O drama existencial da famosa criatura do romance da escritora britânica Mary Shelley (1797-1851) serve apenas como ponto de partida para uma história completamente diferente e muito mais agitada que chega aos cinemas brasileiros.
Em Frankenstein – Entre Anjos e Demônios, o público é levado para uma realidade na qual o icônico personagem principal ganha ares de herói incompreendido. A trama apresenta Adam (interpretado por Aaron Eckhart, o Duas Caras de O Cavaleiro das Trevas) sobrevivendo ao passar dos tempos – sem os parafusos no pescoço, mas com o corpo e o rosto recheados de cicatrizes. Ele mora na estranha cidade de Darkhaven e se vê em meio a uma sociedade na qual outras figuras mitológicas, como vampiros, lobisomens e demônios, também existem.
A aventura começa a chamar a atenção na medida em que o protagonista passa a perceber que ele é peça-chave para resolver lendária briga entre dois clãs imortais. Apesar de estar no meio da guerra, a maior preocupação de Adam é tentar entender os motivos de ser como é e assumir seu verdadeiro papel no mundo a sua volta.
O longa-metragem do diretor Stuart Beattie (conhecido no meio do cinema por assinar os roteiros de sucessos como Piratas do Caribe – A Maldição do Pérola Negra e G.I. Joe – A Origem de Cobra) é baseado na graphic novel norte-americana I, Frankenstein, do autor Kevin Grevioux. O estilo gótico e as cenas de ação irão fazer com que o público lembre da saga Anjos da Noite, com uma nova lenda sendo reformulada.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Uma Vida de Ganância Sem Escrúpulos


Martin Scorsese faz parte da velha guarda de Hollywood. Ele não precisa fazer muito para chamar a atenção dos produtores e do público. Havia quem acreditasse que sua ousadia – exposta em trabalhos como Os Bons Companheiros (1990) e Os Infiltrados (2006) – seria deixada de lado após o ótimo resultado do drama infantil A Invenção de Hugo Cabret (2011). Aos 73 anos, o diretor mostra fôlego e prova que ainda é capaz de extrapolar limites com estilo.

A conhecida visão cinematográfica do veterano, que volta a incluir câmeras lentas em meio a cenas que pedem agitação e a quebra da quarta parede para diálogo direto com o espectador, agora está voltada ao mundo dos negócios. A carta da vez é O Lobo de Wall Street, baseado em livro homônimo que revela a vida de excessos de Jordan Belfort (vivido por Leonardo DiCaprio em nova atuação de qualidade, marcando sua quinta parceria com o cineasta).

O protagonista é um ex-corretor de Nova York que começa a juntar dinheiro enganando seus clientes com ações vendidas fora dos pregões tradicionais. Como ele diz em alguns momentos, não importa como todo o sistema da malandragem funciona, o que importa é que os milhões de dólares não paravam de chegar, inclusive para o sócio Danny (Jonah Hill, comprovando talento em papéis maduros).

Em tempos em que cantores brasileiros apostam no chamado funk ostentação’ para falar de vidas luxuosas, Belfort coloca todos no bolso. O gasto de US$ 2 milhões em sua despedida de solteiro em Las Vegas é apenas um exemplo da realidade que se transforma a rotina do empresário movido a todos os tipos de entorpecentes.

Scorsese se aproveita do universo de drogas, sexo e rock n’ roll dos novos ricos para explorar o lado mais ambicioso do ser humano. O enredo é repleto de momentos um tanto quanto chocantes para o público puritano, mas Belfort não tem tempo para ser bonzinho. Como um vendedor ganancioso, o milionário sabe onde quer chegar, mesmo que seu caminho seja objeto de atenção do FBI. A câmera do diretor tenta mostrar como o lobo se lambuza – e se afoga – em sua própria fome.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

A Grandeza do Homem Comum


Tudo é possível para Walter Mitty. Ele não tem medo de invadir um prédio em chamas para salvar um gato, passa meses testando os limites do espírito humano em montanhas repletas de neve e já saiu em jornada para o espaço, além de não levar qualquer tipo de desaforo para casa. É neste universo excitante que o nova-iorquino vive quando tem suas pequenas fugas da realidade durante o dia a dia. Na verdade, ele não passa de um tímido homem comum.

A premissa serve de ponto de partida para os acontecimentos de A Vida Secreta de Walter Mitty, em cartaz nas salas do Grande ABC com cópias dubladas e legendadas. Repleto de mensagens de superação e com estímulo para impulsionar o público a seguir seus sonhos, o longa-metragem parece calhar muito bem com o espírito natalino de esperança sem parecer um filme tradicional da época.


Quem comanda essa jornada pelo cotidiano do protagonista é Ben Stiller, conhecido do grande público por participações em comédias como 'Entrando Numa Fria' e 'Uma Noite no Museu'. O ator norte-americano já provou que tem o dom de fazer as pessoas rirem e agora volta ao posto de diretor após cinco anos, desde o lançamento de 'Trovão Tropical' (2008).

Ele tenta provar que está mais maduro ao desenvolver trabalho com tom completamente diferente do que já realizou, lembrando o caso de Jim Carrey em 'O Show de Truman' (1998). Mas ao invés de estar preso a um reality show, Walter (interpretado de maneira sólida pelo próprio Stiller) não consegue se libertar de si mesmo. Trabalhando como gerente de negativos da revista 'Life', seus desafios e emoções são restritos à preocupação de não perder as fotos necessárias para o periódico à beira da extinção.


Mas quando uma foto do prestigiado Sean O’Connell (Sean Penn) desaparece, Walter começa a desafiar seus próprio limites para encontrar o negativo. O empurrão que lhe falta vem do sentimento especial que ele nutre por Cheryl Melhoff (papel de Kristen Wiig, de 'Missão Madrinha de Casamento'), que também trabalha na revista e começa a lhe encorajar nas entrelinhas de suas poucas conversas.


As belezas criadas pela imaginação do personagem com a ajuda de alta dose de efeitos visuais começam a ser substituídas pelas cores e formas do ‘mundo real’ onde ele jamais se viu explorando. As montanhas da Groenlândia e da Islândia servem de cenários para situações libertadoras – e comuns somente em Hollywood – nas quais ele terá a oportunidade de conhecer melhor a si mesmo. É o típico caso de dar chance à vida, só que tudo é muito mais interessante nos cinemas. O carisma de Stiller, assim como a ótima fotografia do filme, são utilizados de maneira a fazer com que o público embarque com maior facilidade nesse drama cômico.


A facilidade com que Walter desfila talento em cima do skate é prova de que a emoção sempre esteve ao seu lado, mas seu perfil introvertido e uma complicação familiar o transformaram durante o passar do tempo. Buscando motivação na música 'Space Oddity', de David Bowie, o personagem está “passando pela porta” e “flutuando do jeito mais peculiar”.Em A Vida Secreta de Walter Mitty, Major Tom revela coragem para explorar os sentimentos.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Homenagem ao Camaleão do Cinema

Se adaptar a diferentes ambientes não é para qualquer um. Poucos são aqueles que se sentem à vontade em áreas distintas e conseguem se sair bem fora de seus espaços de confiança.

Um dos maiores astros do cinema nos últimos anos, Johnny Depp atingiu sua alta popularidade por trabalhos consistentes em tipos distintos de produções, como aventura (a saga Piratas do Caribe), comédia (Ed Wood), suspense (A Janela Secreta), fantasia (Alice no País das Maravilhas), romance (Don Juan DeMarco) e terror (Do Inferno). O ator é a alma por trás do personagem título da animação Rango, que chega hoje ao Brasil.

Assim como David Bowie é chamado de 'O Camaleão do Rock', Depp é o detentor do título quando o assunto é a sétima arte. O desenho animado soa como uma homenagem a seu legado nas telas, principalmente pelo fato de que o protagonista é um camaleão.

Apesar de poder se camuflar e ter habilidade de adaptação a muito locais, Rango tem a dura missão de decifrar o quem ele é. A busca pelo autoconhecimento faz com deixe a cidade grande e chegue ao pequeno vilarejo de Dirty, que muito lembra as cidades típicas do velho-oeste norte-americano. Uma enorme confusão coloca o simpático e atrapalhado animal como xerife local.

É comum que grandes nomes do cinema emprestem suas vozes para personagens animados. A recente geração de filmes agora consegue captar os gestos e pequenos detalhes faciais dos atores para utilizar as informações no momento de criar as figuras a serem exibidas nas telas. Apesar da aparência estranha de Rango, não há como negar que o novo caubói trata-se de Johnny Depp – apesar da voz ligeiramente mais fina em certos momentos.

Os trejeitos característicos e até mesmo o estilo excêntrico são os mesmos. Em uma de suas entrevistas, o ator afirmou que o estilo adotado foi o de captura emocional e que a produção foi uma oportunidade para que um bando de adultos pudesse fazer papel de bobo.

O trabalho de dublagem brasileira é de grande qualidade, mas a versão nacional faz com que o público não se sinta em meio a figuras como Alfred Molina, Bill Nighy, Isla Fisher e Abigail Breslin, também dubladores da versão original. Todos são comandados pelo diretor Gore Verbinski, o mesmo dos três Piratas do Caribe e que estreia em animações. A aventura é boa e Rango deve se camuflar ao gosto do público.

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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Filmes se Expandem Para os Quadrinhos

O caminho mais ‘natural’ do entretenimento mostra diversas histórias em quadrinhos servirem como base para que outras centenas de produções cinematográficas apareçam. A popularidade das duas linguagens é enorme e sua união é comum. A surpresa atual é que contos nascidos nas telas estão se expandindo para as páginas das HQs.

A saga Star Wars foi uma das precursores desse caminho dos filmes para as HQs. Os filmes em questão abrangem todos os estilos possíveis e não só ficção científica. O mais recente a ganhar versão desenhada é O Besouro Verde, do diretor francês Michel Gondry. Após ganhar um prelúdio, as ações do playboy Britt Reid e seu ajudante Kato agora seguem em sua própria publicação. A obra não foi lançada no Brasil e ainda não há previsão de chegar em nossas bancas.

Outra aventura que ganhou uma revista especial é Tron – O Legado, de Joseph Kosinski. O longa é continuação de Tron – Uma Odisséia Eletrônica (1982) e os acontecimentos dos mais de 20 anos que passam entre os dois títulos é apresentado em Tron – The Betrayal, também não lançado por aqui.

Algumas produções que estiveram presentes ontem na festa do Oscar também não ficam de fora da tendência. O western Bravura Indômita, dos irmãos Joel e Ethan Coen, mudou de universo quando a produtora do filme resolveu inovar a propaganda de seu lançamento no Reino Unido. A HQ True Grit – Mean Business tem como protagonista o xerife Marshall ‘Rooster’ Cogburn (vivido nas telas por Jeff Bridges) e mostra seu encontro com a pequena Mattie Ross em um tribunal. Seu diferencial é que ela somente existe no meio virtual, podendo ser baixada gratuitamente no site ComiXology.

Quem também aproveita a internet para se envolver com os quadrinhos é o inventivo A Origem, de Christopher Nolan. Inception – The Cobol Job se passa antes de toda a movimentação de Dom Cobb (papel de Leonardo DiCaprio) e sua equipe em implantar uma ideia na cabeça de um homem. Ele pode ser baixado neste link.

Uma das poucas adaptações a chegarem oficialmente no Brasil é Crepúsculo – Graphic Novel Volume 1 (Intrínseca, R$ 29,90, 224 páginas). Ao contrário do títulos já citados, o livro busca versão mais fiel ao conto romântico escrito pela norte-americana Stephenie Meyer. A artista coreana Young Kim aproveita o estilo do manhwa – como é conhecido o quadrinho feito em sua terra natal (não confundí-lo com o popular mangá japonês) para transformar a história de Bella e do vampiro Edward em belas ilustrações.

Esse tipo de movimentação mostra que Hollywood continua a ser uma grande indústria do entretenimento em geral.


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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Deborah Secco é o Escorpião

O filme Bruna Surfistinha chega hoje aos cinemas de todo o Brasil. A adaptação cinematográfica da trajetória da mais famosa garota de programa do País mistura assuntos como cobiça, ganância e drogas e torna-se uma espécie de conto de fadas do submundo do sexo fácil. Mas o longa-metragem não acrescenta nada a outras histórias já contadas .

A personagem explodiu entre 2005 e 2006, tempo em que seu blog se tornou conhecido na internet e o livro O Doce Veneno do Escorpião atingiu grande vendagem. Agora nas telas, a figura da menina que deixou a casa dos pais, passou por um pequeno privê e chegou até um luxuoso flat, onde recebia seus clientes, promete ser tão popular que é possível afirmar que Deborah Secco passará também a ser conhecida pelo nome de Bruna Surfistinha.

A presença da bela atriz no papel título é responsável – apesar de ela não desejar isso – por grande parcela dos holofotes voltados para a produção. Deborah não é exigida ao ponto de ter de desempenhar interpretação densa e marcante. Não que não possa chegar a tal ponto, mas sua personagem não pede esforço além da medida.

Em conversa com a imprensa, a atriz afirmou que o papel poderia apresentar um lado seu que poucos conhecem. O tiro sai pela culatra, já que suas cenas de nudez não param de chamar a atenção do público, principalmente o masculino.

Ela é comandada por Marcus Baldini. Conhecido por seu trabalho na publicidade, o diretor faz sua estreia em longa-metragem. Ele não decepciona à frente do aguardado projeto, mas parece que a bagagem profissional ainda lhe influencia muito na nova empreitada.

O pecado de Bruna Surfistinha está em apostar que uma personagem fraca é capaz de sustentar uma grande produção. Não importa sobre quem fosse o filme, a história apresentada não é tão diferente de tantas outras já contadas.

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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Boyle e Franco Exaltam Superação

O drama pessoal de pequenos personagens chama a atenção do público. Os grandes feitos de desconhecidos mostram o quanto o ser humano pode superar seus limites e atingir o patamar de herói. O diretor Danny Boyle utiliza uma história real em seu novo filme 127 Horas, que estreia hoje nos cinemas brasileiros. O longa-metragem serve como mais um conto capaz de mostrar que vale a pena brigar pela vida, além de apresentar um interessante processo de edição.

O roteiro tem como base um acidente vivido pelo alpinista norte-americano Aron Ralston em 2003. Quando escalava montanhas e cânions em Utah, atividade que estava acostumado a fazer apesar de não ser um profissional, o rapaz acaba escorregando e caindo em uma grande fenda. A queda faz com que seu braço direito fique preso em uma pedra. As 127 horas do título do filme remetem ao tempo em que o protagonista precisa lidar com sua situação limite.

Algumas pessoas já devem ter ouvido falar do que se passou com Ralston, mas poucos chegaram a imaginar seu sofrimento e angústia. O público acompanha os acontecimentos ao observar a performance de James Franco (indicado ao Oscar de melhor ator pelo trabalho) no papel do alpinista amador. A questão é que o rapaz demonstra ter carisma o bastante para não deixar a obra maçante, sendo que durante quase todo o tempo ele está sozinho diante das câmeras.

A exemplo dos jovens de sua geração, Ralston é antenado nas novas tecnologias e aproveita o momento para gravar e fotografar seu tempo e suas ações. Danny Boyle aproveita essa característica de seu protagonista para elaborar inteligentes cortes e diferenciados enquadramentos. Algumas da boas sacadas ficam por conta da câmera que mostra o que ocorre dentro da filmadora do alpinista e os cortes de cena feitos a partir das fotos tiradas.

A maneira ágil como o inteligente cineasta administra o filme o torna bem mais dinâmico do que se espera da saga de uma pessoa presa em uma pedra. Muito desse estilo pode ser visto em seus outros filmes, casos do oscarizado Quem Quer Ser Um Milionário? (2008) e até mesmo o criticado A Praia (2000).

A identificação com algumas questões enfrentadas pelo personagem principal realmente acontece. O desespero de Ralston faz com que comece a relembrar fatos importantes de sua vida. Quando pensa em sua trajetória, as alegrias sempre são acompanhadas de um sentimento de que tudo pode ser perdido a qualquer momento. Passam pela sua cabeça o tormento de não poder se despedir dos pais, a tristeza de não estar mais com a garota que ama e deixou escapar, entre outros pensamentos.

É angustiante, e também engraçado, observar que seus lamentos são feitos ao lado de rochas e no meio do nada, literalmente. Apesar de tudo, o controle do alpinista é prova de que o sedentarismo do ser humano pode ser seu principal inimigo em situação de vida ou morte.

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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Zumbis e Seu Retorno ao Estrelato

O universo sobrenatural sempre chamou a atenção do homem. Coisas que não estão sob seu controle causam, ao mesmo tempo, curiosidade e medo. A morte é a única certeza da vidas e por isso a tratamos sempre com respeito e temor. Nada mais natural do que se criar um monstro que consiga fazer com que o fim de nossa trajetória corra atrás das pessoas. De tempos em tempos, os zumbis ressurgem de seus túmulos para tomar conta das diferentes vertentes da cultura pop e voltar ao estrelato.

Caso você conheça pouco sobre essas estranhas criaturas sedentas por carne humana, grande parte das respostas está nas páginas de Zumbis – O Livro dos Mortos (Editora LeYa, R$ 44,90, 464 páginas). A publicação não é um manual de sobrevivência contra esses inimigos, mas conta com vasto material informativo que promete agradar em cheio cinéfilos que acompanham a inusitada carreira cinematográfica dos mortos-vivos.

"Escrevi o livro porque queria lê-lo. Sempre fui fã de filmes de zumbis e um dia me perguntei o que existia neles que me fascinava tanto", explica o jornalista Jamie Russel, autor do projeto.

Adotando estilo dos recentes almanaques, o livro mostra como a lenda sobre a criatura surgiu, os primeiros longas-metragens para o cinema na década de 1930, a popularização dos filmes pelo diretor George A. Romero e a recente fase de projetos para o cinema e televisão. Também há uma filmografia zumbi com títulos lançados no Brasil, como Cemitério Maldito (1989), a trilogia Uma Noite Alucinante (1982, 1987 e 1992), Extermínio (2002) (abaixo) e Terra dos Mortos (2005), e outros que não chegaram oficialmente por aqui.

É interessante analisar que o ponto inicial para a disseminação das histórias de zumbis foi o livro A Ilha da Magia, de 1929, no qual o escritor William Seabrook relata acontecimentos que vivenciou na então misteriosa ilha do Haiti. O conto influenciou o memorável filme Zumbi Branco (1932) (abaixo) e outras milhares de produções para as telonas.

Apesar de sua popularidade, os monstros sempre figuraram na sombra de outras criaturas pouco mais respeitadas, como vampiros e lobisomens. Seus filmes sem altos investimentos ficaram marcados com a estigma de 'filmes B'. Segundo Jamie Russel, "os zumbis são uma espécie de operários do cinema de horror. Há milhões deles. Os vampiros são mais como os aristocratas. Não tenho certeza se nós precisamos levá-los mais a sério".

O autor de Zumbis – O Livro dos Mortos levanta um importante ponto: os mortos-vivos são figuras modernas, originárias do século 20. Personagens importantes como Drácula e Frankenstein, por exemplo, possuem herança literária que lhes dão certo prestígio em comparação aos 'concorrentes'. "Quando estava escrevendo o livro, todos diziam: 'Quem se importa com filmes de zumbis?'. Ninguém mais diz isso. Os zumbis retornaram dos mortos!", afirma Russel.

A figura degradante dos zumbis causa repulsa, mas é notório que também nos deixa inquietos. Não à toa, é possível encontrar atrações com os macabros personagens em todos os meios. Eles estão rivalizando hoje com o popular universo vampirístico.

"É verdade que os vampiros predominam no mercado, tanto na literatura como no cinema, mas isso ficou tão saturado que abriu as portas para lobisomens, anjos e mortos-vivos", analisa Ademir Pascale, autor do livro Zumbis – Quem Disse Que Eles Estão Mortos?.

Um ponto à favor de sua manutenção na cultura pop de tempos em tempos é que eles têm a capacidade de se adaptar a diversos momentos históricos. Eles já representaram a sociedade norte-americana abalada pela grave crise financeira de 1929 e o consumo insaciável resultado pelo sistema capitalista.

O mais recente sucesso do meio surgiu com o seriado The Walking Dead. A atração televisiva tem como base para a adaptação a história em quadrinhos Os Mortos-Vivos, que voltou às bancas no Brasil graças ao sucesso da série. A literatura também foi influenciada e um ótimo exemplo é Orgulho e Preconceito e Zumbis, que traz versão trash do romance Orgulho e Preconceito, de Jane Austen.

Pascale acredita que a onda fez com que materiais de qualidade referentes ao universo dos zumbis cheguem até o público. "Os brasileiros lidam com maturidade com o tema e já existe uma grande gama de fãs sobre o assunto", diz o escritor, lembrando também as ações da Zombie Walk, na qual milhares de pessoas se fantasiam de mortos-vivos no Dia de Finados e seguem pelas ruas. O evento tem ocorrido nos últimos anos em São Paulo e em 2011 não será diferente.

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