terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Quadrinhos Ácidos Sobre o Mundo Urbano
A ideia é explorar a visão ácida que artistas do gênero tinham sobre o que viam à sua volta, uma vez que desenvolviam seu talento em meio a um período marcado por agitações políticas, como a elaboração da Constituição de 1988 e o movimento Diretas Já. Se movimentos culturais mais tradicionais sofriam com censura, o universo underground servia de inspiração para quadrinistas como Adão, Glauco, Luís Gê, Newton Foot e Spacca.
“A exposição vale para que possamos repensar a situação das grandes cidades, que ainda sofrem com problemas como trânsito, violência e poluição”, explica o curador André Luís Sanchez Cezaretto. “ Temos essas metrópoles como cenários nas mãos desses artistas, com seus prédios e ruas. E também há uma segunda parte na qual exploram o cotidiano e a questão de enfrentar seus desafios. Essas histórias em quadrinhos têm um contato direto com as pessoas. Lê-las significa falar com nós mesmos.”
Parte do acervo pertence à coleção pessoal de Cezaretto, confesso fã de HQ desde a adolescência. Estão espalhadas pelo local exemplares de publicações alternativas e voltadas aos leitores adultos, casos de Chiclete com Banana (de Angeli), Piratas do Tietê (Laerte) e Níquel Náusea (Fernando Gonsales). Alguns dos autores visitarão o Sesc andreense no início do ano para comandar atividades para tornar a exposição mais interativa.
A curiosidade do curador será perceber como o público mais jovem irá receber um material considerado ‘transgressor’. “Parte da garotada não tem ideia da importância desses caras. Meio que sem querer, eles formaram uma espécie de movimento social que transformou a história do quadrinho brasileiro.”
Cidades em Tiras: A Metrópole Brasileira Através das Histórias em Quadrinhos – Exposição. No Sesc Santo André – Rua Tamarutaca, 302. Tel.: 4469-1200. Terça a sexta, das 10h às 22h; sábado, das 10h às 20h; domingo, das 10h às 19h. Grátis. Até 9 de março.
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
Ilustrações Celebram Uma Cinquentona
Os organizadores chamaram um total de 150 artistas para participar do projeto. Entre os nomes selecionados estão Fernando Gonsales, Orlandeli, Samuel Casal, Danilo Beyruth, Luke Ross, Mike Deodato Jr., Roger Cruz, Sabrina Eras e o veterano Ziraldo. Alguns deles, casos de Gustavo Duarte e os irmãos Lu e Vitor Cafaggi, estão no time de quadrinistas que estão reinventando as criações de Mauricio de Sousa em graphic novels – Pavor Espaciar e Laços, respectivamente. Uma pequena parte do material já entrou no livro Mônica 30 Anos, lançado na década de 1990.
Grande parte dos brasileiros teve contato com as histórias em quadrinhos por meio da Turma da Mônica. Entre os influenciados pelos contos criados por Mauricio de Sousa ao longo das décadas estão os irmãos Magno e Marcelo Costa, de Santo André, hoje entre os destaques da nova geração de quadrinistas brasileiros.
“Praticamente todo mundo, em algum momento da vida, leu a 'Turma da Mônica'. Foi a nossa primeira ligação com as HQs, uma vez que o material de editoras como Marvel e DC (Comics) eram difíceis de encontrar”, recorda Magno. “Começamos a ler com essas revistinhas e depois fomos desenhando os personagens. É um universo que fala muito a língua da criança”, diz Marcelo.
Com muita nostalgia, os gêmeos retornam para esse universo por meio de suas participações em Mônica(s). “Quando esse tipo de livro é lançado, o público fica muito ansioso para ver o resultado final. Participar de um projeto grandioso como esse acaba sendo uma responsabilidade imensa. A Mônica é uma figura icônica e dar sua visão sobre ela é um desafio”, explica Magno. Segundo seu irmão, “esse tipo de convite faz com que a cabeça fique cheia de ideias. Quando você faz uma releitura sem compromisso até que é bem fácil, simples. O peso vem quando percebemos que o negócio é sério.”
No meio da seleção de opções e possibilidades que dariam certo no papel, eles seguiram caminhos diferentes. Magno buscou inspiração em mundos fantásticos, como o visto na saga A Guerra dos Tronos, para revelar uma garotinha mais guerreira. Os traços flertam com o estilo do mangá. Um ar mais urbano cerca a Mônica idealizada por Marcelo. O andreense a coloca como a líder de uma espécie de gangue juvenil formada ainda por Cebolinha, Cascão e Magali.
Ilustradores de outros países também estão espalhadas pelas páginas, com espaço para desenhos assinados pelo norte-americano Will Eisner, considerado um dos grandes mestres do quadrinho mundial e criador do herói The Spirit, e do italiano Milo Manara, conhecido por trabalhos de teor erótico.
A garotinha de vestido vermelho viaja entre o ar angelical e infantil até opções mais adultas e um tanto quanto filosóficas. Tentando manter um estilo mais tradicional e flertando com o ar de pintura antiga, José Luiz Benicio empresta seu talento para a capa. A cena prova que a Mônica já está eternizada.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
A Vida e as Ideias da Cultura Beatnik
O fim da década de 1950 e o início dos anos 1960 foram marco da rebeldia dos jovens que queriam mudar tudo à sua volta após o impacto das ações da Segunda Guerra Mundial. Nos Estados Unidos, a chamada cultura beatnik acabou por mexer com os padrões da literatura convencional por surgir de uma geração que não se conformava com o que lhes era imposto. A história do movimento e de seus grandes articuladores pode ser vista em Os Beats (Benvirá, R$ 39,90, 208 páginas).
A graphic novel utiliza a linguagem dos quadrinhos para apresentar fatos importantes da vida dos principais artistas envolvidos.Os escritores buscavam quebrar certas regras estabelecidas pelos autores do passado e tinham como referência para seus textos a rotina boêmia e o hedonismo a qualquer custo. Figuras como Allen Ginsberg, responsável pelo poema Uivo e a obra Kaddish e Outros Poemas; Willian S. Burroughs, dos livros Junkie e Almoço Nu; e Jack Kerouac, autor do icônico On The Road, surgem como líderes da nova cultura.
A segunda metade traz relatos mais breves sobre os beats menos conhecidos. Além de contar detalhes da criação dos conhecidos textos do universo underground, a HQ chama atenção por escancarar suas vidas pessoais. Problemas financeiros, o uso de drogas e bebidas, a liberdade sexual dos envolvidos e acidentes que resultaram na morte de pessoas próximas - sendo que algumas situações foram protagonizadas pelos próprios escritores recheiam as páginas da publicação.
Os Beats é um projeto encabeçado pelo polêmico quadrinista Harvey Pekar (1939-2010), também influenciado pelas ações dos beatniks. Em um de seus últimos projetos, ele assina a maioria dos roteiros dos diversos contos.See You in The Other Post
sábado, 29 de janeiro de 2011
Na Busca Pelo Oscar 2011
A corrida pelo ouro começou em Hollywood. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou na manhã de ontem os indicados para o Oscar deste ano. Sem surpresas e em tom formal, os nomes e títulos foram divulgados e as apostas para saber quem será o vencedor borbulham em todo o mundo.
O respeito por produções britânicas foi mantido com as atenções voltadas para O Discurso do Rei. Com previsão de estreia no País em 11 de fevereiro, o longa concorre a 12 prêmios, entre eles o de melhor filme e o de melhor ator para o favorito Colin Firth.
Seu principal concorrente na briga pelo título de melhor produção de 2010 é o interessante A Rede Social - também conhecido como ‘o filme do Facebook''. A lista também traz Cisne Negro, Bravura Indômita, 127 Horas, Inverno da Alma, O Vencedor, A Origem, Minhas Mães e Meu Pai e a ótima animação Toy Story 3. Como conjunto da obra, é possível que a trajetória da popular rede da internet vença.
O instigante trabalho como ex-boxeador viciado em crack em O Vencedor parece não deixar espaço para que concorrentes tirem de Christian Bale o Oscar de ator coadjuvante.Na disputa de melhor atriz, a elogiada Natalie Portman, de Cisne Negro, sofre pressão da atuação de Annette Bening em Minhas Mães e Meu Pai, mas são baixas as chances de haver surpresa.
Ambas do elenco de O Vencedor, Amy Adams e Melissa Leo surgem como bons nomes para melhor atriz coadjuvante, tendo a última atuação superior no filme. A Rede Social também desponta como grande nome para dar a David Fincher seu primeiro Oscar de melhor diretor. A perspicácia em extrair de um fenômeno cibernético história recheada de intrigas e conflitos humanos tem sido bem vista pelos integrantes do júri que participam também da votação de outras respeitadas premiações.
O Brasil será representado por Lixo Extraordinário, produção feita em parceria com o Reino Unido e que mostra trabalho social feito pelo artista plástico Vik Muniz. O projeto está entre os cinco finalista de melhor documentário em longa-metragem.No dia 27 de fevereiro, quem ganhar o Oscar verá sua vida mudar. E é o sonho de todos sofrer esse tipo de mudança em suas carreiras.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Homenagem ao Legado de The Spirit
A história dos quadrinhos se mistura com a carreira de Will Eisner (1917-2005). O venerado quadrinista norte-americano foi o responsável por criar conceitos, definir parâmetros e por inspirar gerações e gerações de garotos a crescerem e ter como objetivo o trabalho com as HQs – e se tornar o mais próximo possível do mito.
O livro reedita histórias lançadas originalmente em 1998. Apesar da presença do herói, a criatura mais famosa de Eisner acaba ‘emprestada’ para outros respeitados nomes do gênero. Alan Moore, Dave Gibbons, Neil Gaiman, David Lloyd, Moebius e Kurt Busiek, entre outros, revelam suas versões para o protetor de Central City.
As 11 aventuras apresentadas mostram diferentes visões sobre Denny Colt e seu alter ego. Não ficam de fora dos contos figuras como o Comissário Dolan, sua filha Ellen e o vilão Dr. Eugene Cobra, além do cemitério de Wildwood. Os artistas só não podiam matar ou casar o personagem. Cada um presta sua homenagem ao ídolo sem ousadas mudanças – provavelmentre devido ao medo que enfrentaram de ter de apresentar o trabalho a Eisner, conhecido por não gostar muito que sua criação seja tomada por outras mãos. “O desejo entre muitos artistas e roteiristas de ‘brincar na caixa de areia do Spirit’ foi algo que minou sua (Eisner) resistência. Em 1997, ele decidiu que não tinha nenhum problema deixá-los brincar”, conta Denis Kitchen, responsável pela coletânea especial. “Ele especificamente desencorajou os artistas a tentarem imitar seu estilo, e encorajou os criadores a manterem seu próprio olhar gráfico, porém idiossincrático.”
É interessante observar como uma mesma ideia pode gerar diferentes possibilidades. Enquanto Alan Moore busca ressaltar a origem do herói mascarado e vislumbra o futuro de sua cidade, Neil Gaiman aposta no olhar de um personagem secundário sobre as ações do protagonista. Outro destaque fica por conta da versão bem-humorada e um pouco mais idosa de Spirit pelo roteirista Jim Vance.A diversidade de traços também chama atenção. Alguns quadros feitos por Dave Gibbons lembram muito a arte da graphic novel Watchmen e caem muito bem com o universo criado na década de 1940. Ilustrações com tom mais moderno e arredondados caracterizam o trabalho de Brent Anderson em O Samovar de Shooshnipoor.
A presença de Eisner na publicação está em seus desenhos chamados de pinups, espécie de quadros do herói. A fascinação por Spirit continua após 70 anos e sua importância será reconhecida para sempre.segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Disney Quer o Oscar de Melhor Filme
O anúncio dos indicados aos prêmios do Oscar deste ano ocorre no dia 25, mas as produtoras já começaram a se movimentar para ver seus títulos na lista da Academia de Cinema de Hollywood. Uma das principais campanhas que têm chamado a atenção do público - e, quem sabe, dos integrantes do júri - envolve Toy Story 3.
Apesar da animação ser voltada em grande parte para as crianças, muito se fala sobre sua indicação a estatueta de melhor filme. Caso isso ocorra, terá chances para brigar com reais forças pelo envelope com seu nome.
Toy Story 3 vai além de apenas mais uma obra Disney. Cheio de nostalgia e carregado com fortes doses de sentimentalismo, a animação encerra um ciclo pelo qual uma geração inteira acompanhou o que ocorria no quarto de Andy enquanto ele não estava por perto. O estúdio parece entender esse significado e o transformou em uma das melhores produções cinematográficas do ano.
A campanha de marketing da Disney envolve diversos cartazes divulgados nas páginas das principais publicações de entretenimento dos Estados Unidos. A ideia é remeter algumas cenas do longa a outros grandes títulos que venceram o Oscar de melhor filme em edições anteriores.Sindicato de Ladrões (1954), O Silêncio dos Inocentes (1991), Titanic (1997), Shakespeare Apaixonado (1998), O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei (2003) e Quem Quer Ser Um Milionário? (2008) são citados nos trabalhos publicitários em meio a situações vividas pelos personagens. Os nomes aparecem sempre depois de "Não desde...".
A possibilidade do desenho animado figurar entre os indicados é grande, principalmente pelo fato de que, desde o ano passado, o número de selecionados para a categoria passou a ser de dez filmes. Na edição de 2009, a Disney/Pixar esteve presente na briga pela estatueta mais cobiçada do evento com UP - Altas Aventuras, dos diretores Pete Docter e Bob Peterson. A primeira vez que uma animação figurou na lista de melhor filme foi na edição de 1992, com A Bela e A Fera (1991).
A Academia de Cinema de Hollywood precisa deixar de lado esse tipo de observação e levar em conta a arte por trás dos filmes. As engraçadas campanhas servem apenas para divertir.domingo, 2 de janeiro de 2011
Clássicos Retornam Repaginados
Em meio a ideias mirabolantes sobre novas tramas, antigos sucessos também encontram espaço na atual geração de games. Apesar de clássicos, esses jogos são repaginados para retornar mais modernos. A última atualização ocorreu com Goldeneye 007, que chega para Wii.
Baseado no 17º filme de James Bond, a atração manteve as características que fizeram do título lançado em 1997 para o Nintendo 64 um dos maiores sucessos do console: o ousado e simples jogo de tiro unido a seu divertido modo multiplayer.
Outros jogos que tiveram recente upgrade foram New Super Mario Bros. Wii, Sonic The Hedgehog 4 - Episode I e Donkey Kong Country Returns. A lista tem a presença de grandes ícones do mundo dos videogames que nunca deixaram o imaginário dos fãs além de terem marcado diferentes gerações de gamers.

Eles podem ter sido deixados de lado por algum tempo, mas mostram que têm força para se manter na ativa.terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Michael Jackson Revive em Novo Jogo
O legado musical deixado por Michael Jackson continua a se multiplar mesmo com sua morte. A novidade em relação a imagem do ícone é o game Michael Jackson: The Experience (Ubisoft, R$ 149), no qual o público poderá brincar de fazer as coreografias e cantar os grande sucessos da carreira do cantor.
O jogo chega para as plataforma Wii, Nintendo DS e PSP – as versões para Xbox 360 e PlayStation 3 serão lançadas somente no ano que vem, havendo pequenas diferenças entre as edições de cada console.Segue um trailer (que ficou muito legal):
Apresentando um avatar com o mesmo figurino e com os mesmos trejeitos do astro norte-americano, The Experience passa por diversos momentos de sua carreira, além de fazer referência aos famosos videoclipes. Não ficam de fora momentos com o grupo The Jackson 5, o início da carreira adulta com o álbum Off The Wall e os hits dos disco Thriller, Bad e Dangerous.
A lista de músicas disponibilizadas irá agradar a todos que gostavam do som do cantor. Beat It, Billie Jean, The Way You Make Me Feel, They Don´t Care About Us, Bad, Will You Be There e Black or White estão entre as 27 canções que podem ser interpretadas.
A ideia é agitar o público utilizando as novidades tecnológicas trazidas pela atual geração de games. Os jogadores não ficam mais presos a movimentos possibilitados pelos joysticks e agora precisam levantar da cadeira para interagir com os jogos.
Dessa forma, é possível que durante a execução de Smooth Criminal, todos tenham de tentar se inclinar o quanto podem para se assemelhar à inusitada coreografia da canção.
Os gráficos não são dos melhores que as plataformas já apresentaram em outros títulos, mas também não chegam a desagradar. A pontuação é semelhante aos jogos de danças que existem em shoppings e é importante entrar no clima da música para se soltar ao máximo com os passos.
O desejo de Michael com sua arte era inovar sempre e talvez consiga deixar sua marca no universo dos games - aproveitando ao máximo as novas tecnologias 'sem fio'.
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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Trajetória do Animê na Nossa Televisão
O universo da chamativa cultura japonesa sempre chamou a atenção dos brasileiros. Apesar da curiosidade, o público nacional ainda tem poucas informações sobre como e quando ocorreu a união – entre certos aspectos – entre Brasil e Japão.Uma das vertentes mais populares que unem os dois povos são os animês, como são chamados os desenhos animados nipônicos, e parte de sua trajetória é contada em A Presença do Animê na TV Brasileira (Editora Laços, R$ 22,90, 104 páginas).
A publicação analisa a chegada das primeiras atrações entre as décadas de 1960 e 1970, passando pela popularização do gênero nos anos 1990 e o seu atual momento de consolidação nas grades de diversas emissoras – seja em rede aberta ou nos canais fechados.
Um dos destaques é o capítulo dedicado a contextualizar o motivo de enorme e inesperado sucesso de Os Cavaleiros do Zodíaco (abaixo), transmitido inicialmente pela extinta TV Manchete a partir de 1994. “De forma geral, Cavaleiros do Zodíaco apresentou os animês aos brasileiros. Questões políticas, econômicas e sociais, como o advento do Plano Real, e culturais daquele período foram fundamentais para sua explosão”, explica Sandra.
A dependência do mercado norte-americano para se trazer novas atrações, as dificuldades para se apontar o primeiro animê a passar na TV no Brasil e as complicações referentes a classificação indicativa das animações são abordadas. Um bem-vindo anexo com a lista de títulos que já passaram por aqui complementa a publicação.Não espere que a autora traçe algum tipo de panorama sobre os animês no Brasil e que seu livro tenha pretensões de ser uma enciclopédia. Trata-se de um projeto com tom mais informativo do que nostálgico. Ao falar de algo tipicamente japonês, a obra apresenta um pouco da história brasileira.
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segunda-feira, 29 de novembro de 2010
A Arte Erótica de Milo Manara
A linha tênue existente entre o erótico e o pornográfico é por onde gosta de trabalhar o quadrinista Milo Manara. Seus trabalhos com forte apelo sexual causam polêmica assim que são lançados e muito se discute sobre como caracterizar suas histórias em quadrinhos. O que não se pode questionar é a qualidade dos contos e dos traços que permeiam as diversas publicações nos mais de 40 anos de carreira do italiano.
“Devo tudo a uma grande combinação de eventos de sorte”, resumiu Manara sobre sua trajetória na abertura da exposição
A ligação com as HQs se deve ao fato de que elas proporcionaram liberdade para suas ideias. “Encontrei nos quadrinhos verdadeira arte em série para me expressar. É uma forma narrativa que me deu existência na sociedade em massa”, justifica.
Hoje, aos 65 anos, Manara ainda busca modelos para suas personagens no cotidiano. “Não invento as mulheres, eu as encontro nas ruas. Me inspiro na realidade. Nas HQs, criamos pequeno elenco mental e as personagens precisam representar certos símbolos”, explica.
Clic mostra as desventuras eróticas vividas pela burguesa Claudia Christiani e as confusões ocasionadas por um estranho aparelho que faz com que a dama se transforme em uma criatura com insaciável libido. Cada vez que o dispositivo é ativado, Claudia se entrega por completo a seus desejos reprimidos.

Após quatro décadas, a sensualidade da mente do Maestro ainda chama a atenção.









