quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
Ilustrações Celebram Uma Cinquentona
Os organizadores chamaram um total de 150 artistas para participar do projeto. Entre os nomes selecionados estão Fernando Gonsales, Orlandeli, Samuel Casal, Danilo Beyruth, Luke Ross, Mike Deodato Jr., Roger Cruz, Sabrina Eras e o veterano Ziraldo. Alguns deles, casos de Gustavo Duarte e os irmãos Lu e Vitor Cafaggi, estão no time de quadrinistas que estão reinventando as criações de Mauricio de Sousa em graphic novels – Pavor Espaciar e Laços, respectivamente. Uma pequena parte do material já entrou no livro Mônica 30 Anos, lançado na década de 1990.
Grande parte dos brasileiros teve contato com as histórias em quadrinhos por meio da Turma da Mônica. Entre os influenciados pelos contos criados por Mauricio de Sousa ao longo das décadas estão os irmãos Magno e Marcelo Costa, de Santo André, hoje entre os destaques da nova geração de quadrinistas brasileiros.
“Praticamente todo mundo, em algum momento da vida, leu a 'Turma da Mônica'. Foi a nossa primeira ligação com as HQs, uma vez que o material de editoras como Marvel e DC (Comics) eram difíceis de encontrar”, recorda Magno. “Começamos a ler com essas revistinhas e depois fomos desenhando os personagens. É um universo que fala muito a língua da criança”, diz Marcelo.
Com muita nostalgia, os gêmeos retornam para esse universo por meio de suas participações em Mônica(s). “Quando esse tipo de livro é lançado, o público fica muito ansioso para ver o resultado final. Participar de um projeto grandioso como esse acaba sendo uma responsabilidade imensa. A Mônica é uma figura icônica e dar sua visão sobre ela é um desafio”, explica Magno. Segundo seu irmão, “esse tipo de convite faz com que a cabeça fique cheia de ideias. Quando você faz uma releitura sem compromisso até que é bem fácil, simples. O peso vem quando percebemos que o negócio é sério.”
No meio da seleção de opções e possibilidades que dariam certo no papel, eles seguiram caminhos diferentes. Magno buscou inspiração em mundos fantásticos, como o visto na saga A Guerra dos Tronos, para revelar uma garotinha mais guerreira. Os traços flertam com o estilo do mangá. Um ar mais urbano cerca a Mônica idealizada por Marcelo. O andreense a coloca como a líder de uma espécie de gangue juvenil formada ainda por Cebolinha, Cascão e Magali.
Ilustradores de outros países também estão espalhadas pelas páginas, com espaço para desenhos assinados pelo norte-americano Will Eisner, considerado um dos grandes mestres do quadrinho mundial e criador do herói The Spirit, e do italiano Milo Manara, conhecido por trabalhos de teor erótico.
A garotinha de vestido vermelho viaja entre o ar angelical e infantil até opções mais adultas e um tanto quanto filosóficas. Tentando manter um estilo mais tradicional e flertando com o ar de pintura antiga, José Luiz Benicio empresta seu talento para a capa. A cena prova que a Mônica já está eternizada.
domingo, 26 de janeiro de 2014
A Eterna Voz dos Jovens
É a primeira vez que o museu cede espaço para uma figura pública ligada à música, abrangendo seu leque de homenageados literários. “A escolha do Cazuza vem por ele ser um poeta jovem e atemporal. Quantas frases dele ainda estão espalhadas pelo Brasil inteiro? A ideia foi fazer algo que juntasse o que o Cazuza pensava quando escrevia, suas inspirações, com o que a juventude busca, seu papel de transformar a sociedade”, explica o curador Gringo Cardia, alertando sobra a necessidade dos jovens (ontem e hoje) de terem um interlocutor.
Essa troca de pensamentos entre a cabeça do cantor e os anseios coletivos dá o tom das instalações. Em busca de tirar o ídolo de seu pedestal, a montagem explora elementos que o colocam apenas na figura de rapaz comum, nadando contra a corrente só para exercitar sua rebeldia. Fazer de Agenor de Miranda Araújo Neto apenas mais um na multidão é o conceito por trás da sala de abertura e saída, na qual rostos de milhares de pessoas com frases assinadas pelo compositor estão espalhados. Os visitantes podem ter sua fotografia estilizada, bastando escolher entre 42 opções de dizeres, entre eles 'Por Você Eu Largo Tudo', 'O Nosso Amor a Gente Inventa' e 'Meus Inimigos Estão no Poder', na cabine especial.
Depoimentos de familiares e amigos ajudam a desvendar Cazuza. “Vivíamos uma realidade cenográfica, de beber, viver esse universo, rir da nossa própria imaturidade e vivenciar esses personagens”, revela Lobão. Relatos de psicanalistas e antropólogos analisam as angústias da juventude representada pelo garoto que queria mudar o mundo.
Um karaokê ilustrado, o estudo da arte de compor e um espaço com objetos pessoais são alguns dos braços da exposição. Se o foco da atração são os jovens, as ideologias do cantor podem ser o caminho para chamá-los.
Cazuza – Mostra Sua Cara – Exposição. No Museu da Língua Portuguesa – Praça da Luz, São Paulo. Tel.: 3322-0080. Ter., das 10h às 22h; quar. a dom., das 10h às 18h. Ingr.: R$ 3 (meia-entrada) e R$ 6. Até 23 de fevereiro.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Deborah Secco é o Escorpião
O filme Bruna Surfistinha chega hoje aos cinemas de todo o Brasil. A adaptação cinematográfica da trajetória da mais famosa garota de programa do País mistura assuntos como cobiça, ganância e drogas e torna-se uma espécie de conto de fadas do submundo do sexo fácil. Mas o longa-metragem não acrescenta nada a outras histórias já contadas .
A personagem explodiu entre 2005 e 2006, tempo em que seu blog se tornou conhecido na internet e o livro O Doce Veneno do Escorpião atingiu grande vendagem. Agora nas telas, a figura da menina que deixou a casa dos pais, passou por um pequeno privê e chegou até um luxuoso flat, onde recebia seus clientes, promete ser tão popular que é possível afirmar que Deborah Secco passará também a ser conhecida pelo nome de Bruna Surfistinha.
A presença da bela atriz no papel título é responsável – apesar de ela não desejar isso – por grande parcela dos holofotes voltados para a produção. Deborah não é exigida ao ponto de ter de desempenhar interpretação densa e marcante. Não que não possa chegar a tal ponto, mas sua personagem não pede esforço além da medida.
Em conversa com a imprensa, a atriz afirmou que o papel poderia apresentar um lado seu que poucos conhecem. O tiro sai pela culatra, já que suas cenas de nudez não param de chamar a atenção do público, principalmente o masculino.Ela é comandada por Marcus Baldini. Conhecido por seu trabalho na publicidade, o diretor faz sua estreia em longa-metragem. Ele não decepciona à frente do aguardado projeto, mas parece que a bagagem profissional ainda lhe influencia muito na nova empreitada.
O pecado de Bruna Surfistinha está em apostar que uma personagem fraca é capaz de sustentar uma grande produção. Não importa sobre quem fosse o filme, a história apresentada não é tão diferente de tantas outras já contadas.See You in The Other Post
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Boyle e Franco Exaltam Superação
O drama pessoal de pequenos personagens chama a atenção do público. Os grandes feitos de desconhecidos mostram o quanto o ser humano pode superar seus limites e atingir o patamar de herói. O diretor Danny Boyle utiliza uma história real em seu novo filme 127 Horas, que estreia hoje nos cinemas brasileiros. O longa-metragem serve como mais um conto capaz de mostrar que vale a pena brigar pela vida, além de apresentar um interessante processo de edição.
O roteiro tem como base um acidente vivido pelo alpinista norte-americano Aron Ralston em 2003. Quando escalava montanhas e cânions em Utah, atividade que estava acostumado a fazer apesar de não ser um profissional, o rapaz acaba escorregando e caindo em uma grande fenda. A queda faz com que seu braço direito fique preso em uma pedra. As 127 horas do título do filme remetem ao tempo em que o protagonista precisa lidar com sua situação limite.
Algumas pessoas já devem ter ouvido falar do que se passou com Ralston, mas poucos chegaram a imaginar seu sofrimento e angústia. O público acompanha os acontecimentos ao observar a performance de James Franco (indicado ao Oscar de melhor ator pelo trabalho) no papel do alpinista amador. A questão é que o rapaz demonstra ter carisma o bastante para não deixar a obra maçante, sendo que durante quase todo o tempo ele está sozinho diante das câmeras.A exemplo dos jovens de sua geração, Ralston é antenado nas novas tecnologias e aproveita o momento para gravar e fotografar seu tempo e suas ações. Danny Boyle aproveita essa característica de seu protagonista para elaborar inteligentes cortes e diferenciados enquadramentos. Algumas da boas sacadas ficam por conta da câmera que mostra o que ocorre dentro da filmadora do alpinista e os cortes de cena feitos a partir das fotos tiradas.
A maneira ágil como o inteligente cineasta administra o filme o torna bem mais dinâmico do que se espera da saga de uma pessoa presa em uma pedra. Muito desse estilo pode ser visto em seus outros filmes, casos do oscarizado Quem Quer Ser Um Milionário? (2008) e até mesmo o criticado A Praia (2000).A identificação com algumas questões enfrentadas pelo personagem principal realmente acontece. O desespero de Ralston faz com que comece a relembrar fatos importantes de sua vida. Quando pensa em sua trajetória, as alegrias sempre são acompanhadas de um sentimento de que tudo pode ser perdido a qualquer momento. Passam pela sua cabeça o tormento de não poder se despedir dos pais, a tristeza de não estar mais com a garota que ama e deixou escapar, entre outros pensamentos.
É angustiante, e também engraçado, observar que seus lamentos são feitos ao lado de rochas e no meio do nada, literalmente. Apesar de tudo, o controle do alpinista é prova de que o sedentarismo do ser humano pode ser seu principal inimigo em situação de vida ou morte.See You in The Other Post
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Zumbis e Seu Retorno ao Estrelato
O universo sobrenatural sempre chamou a atenção do homem. Coisas que não estão sob seu controle causam, ao mesmo tempo, curiosidade e medo. A morte é a única certeza da vidas e por isso a tratamos sempre com respeito e temor. Nada mais natural do que se criar um monstro que consiga fazer com que o fim de nossa trajetória corra atrás das pessoas. De tempos em tempos, os zumbis ressurgem de seus túmulos para tomar conta das diferentes vertentes da cultura pop e voltar ao estrelato.
Caso você conheça pouco sobre essas estranhas criaturas sedentas por carne humana, grande parte das respostas está nas páginas de Zumbis – O Livro dos Mortos (Editora LeYa, R$ 44,90, 464 páginas). A publicação não é um manual de sobrevivência contra esses inimigos, mas conta com vasto material informativo que promete agradar em cheio cinéfilos que acompanham a inusitada carreira cinematográfica dos mortos-vivos.
"Escrevi o livro porque queria lê-lo. Sempre fui fã de filmes de zumbis e um dia me perguntei o que existia neles que me fascinava tanto", explica o jornalista Jamie Russel, autor do projeto.Adotando estilo dos recentes almanaques, o livro mostra como a lenda sobre a criatura surgiu, os primeiros longas-metragens para o cinema na década de 1930, a popularização dos filmes pelo diretor George A. Romero e a recente fase de projetos para o cinema e televisão. Também há uma filmografia zumbi com títulos lançados no Brasil, como Cemitério Maldito (1989), a trilogia Uma Noite Alucinante (1982, 1987 e 1992), Extermínio (2002) (abaixo) e Terra dos Mortos (2005), e outros que não chegaram oficialmente por aqui.
É interessante analisar que o ponto inicial para a disseminação das histórias de zumbis foi o livro A Ilha da Magia, de 1929, no qual o escritor William Seabrook relata acontecimentos que vivenciou na então misteriosa ilha do Haiti. O conto influenciou o memorável filme Zumbi Branco (1932) (abaixo) e outras milhares de produções para as telonas.
Apesar de sua popularidade, os monstros sempre figuraram na sombra de outras criaturas pouco mais respeitadas, como vampiros e lobisomens. Seus filmes sem altos investimentos ficaram marcados com a estigma de 'filmes B'. Segundo Jamie Russel, "os zumbis são uma espécie de operários do cinema de horror. Há milhões deles. Os vampiros são mais como os aristocratas. Não tenho certeza se nós precisamos levá-los mais a sério".O autor de Zumbis – O Livro dos Mortos levanta um importante ponto: os mortos-vivos são figuras modernas, originárias do século 20. Personagens importantes como Drácula e Frankenstein, por exemplo, possuem herança literária que lhes dão certo prestígio em comparação aos 'concorrentes'. "Quando estava escrevendo o livro, todos diziam: 'Quem se importa com filmes de zumbis?'. Ninguém mais diz isso. Os zumbis retornaram dos mortos!", afirma Russel.
A figura degradante dos zumbis causa repulsa, mas é notório que também nos deixa inquietos. Não à toa, é possível encontrar atrações com os macabros personagens em todos os meios. Eles estão rivalizando hoje com o popular universo vampirístico.
"É verdade que os vampiros predominam no mercado, tanto na literatura como no cinema, mas isso ficou tão saturado que abriu as portas para lobisomens, anjos e mortos-vivos", analisa Ademir Pascale, autor do livro Zumbis – Quem Disse Que Eles Estão Mortos?.Um ponto à favor de sua manutenção na cultura pop de tempos em tempos é que eles têm a capacidade de se adaptar a diversos momentos históricos. Eles já representaram a sociedade norte-americana abalada pela grave crise financeira de 1929 e o consumo insaciável resultado pelo sistema capitalista.
O mais recente sucesso do meio surgiu com o seriado The Walking Dead. A atração televisiva tem como base para a adaptação a história em quadrinhos Os Mortos-Vivos, que voltou às bancas no Brasil graças ao sucesso da série. A literatura também foi influenciada e um ótimo exemplo é Orgulho e Preconceito e Zumbis, que traz versão trash do romance Orgulho e Preconceito, de Jane Austen.
Pascale acredita que a onda fez com que materiais de qualidade referentes ao universo dos zumbis cheguem até o público. "Os brasileiros lidam com maturidade com o tema e já existe uma grande gama de fãs sobre o assunto", diz o escritor, lembrando também as ações da Zombie Walk, na qual milhares de pessoas se fantasiam de mortos-vivos no Dia de Finados e seguem pelas ruas. O evento tem ocorrido nos últimos anos em São Paulo e em 2011 não será diferente.sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Amor Ainda é Uma Droga Perigosa
O nome pode até sugerir algo mais ousado e pesado, mas Amor e Outras Drogas segue a mesma linha leve de outras produções do gênero. A comédia romântica, que estreia hoje no Brasil, diverte ao misturar o competitivo ramo farmacêutico com o drama pessoal da personagem principal.Muito do sucesso do filme se deve ao charme do elenco. Jake Gyllenhaal e Anne Hathaway são símbolos de uma nova geração talentosa e com ‘molde’ que agrada homens e mulheres. A química entre os dois é perceptível desde cenas em que dividem a cama até quando discutem sobre os rumos do inesperado relacionamento.
O diretor Edward Zwick (O Último Samurai e Diamante de Sangue) mostra que ainda guarda a sensibilidade dos tempos de Lendas da Paixão (1994) em sua nova obra sobre o amor. Sem grandes problemas, o cineasta consegue administrar o encontro de Jamie com Maggie no meio da década de 1990. Aos 26 anos, a garota lida com o primeiro estágio do mal de Parkinson. A doença faz com que se importe apenas com o presente e não veja possibilidade de sua vida ter espaço para um duradouro relacionamento.
Jamie pouco se importa com o estado de Maggie e os dois iniciam quentes encontros. Em paralelo, o rapaz começa a se dar bem com a venda de um revolucionário medicamento que chega ao mercado e promete acabar com a impotência masculina.Amor e Outras Drogas tem chamado a atenção por cenas nas quais os atores aparecem seminus, mas a liberdade juvenil do casal é ponto bem administrado pelo diretor. O objetivo é demonstrar que o amor é livre – e sempre acompanhado de pitadas de rock e drogas (no caso, caixas de remédios).
Ao contrário do que se possa imaginar, a redenção apresentada na tela não é a do garanhão que encontra o amor verdadeiro. O foco se vira para o drama médico vivido por Maggie, em outra atuação convincente de Hathaway. A repulsa por um portador de Parkinson se mostra mais forte de dentro da própria personagem. Ao não se permitir viver, ela cria barreira para que os outros não se aproximem demais. Seu novo companheiro lhe serve como chave para um novo mundo repleto de possibilidades e, é claro, amor.Tudo parece meio grudento e dramático demais. O tom não é esse. O título traz questões mais profundas, mas não sem ter o melodrama de outros filmes.
O amor é assim: simples e complicado ao mesmo tempo. E o longa segue a cartilha.
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Gaiman e Sua Obra-Prima Juvenil
Neil Gaiman é conhecido do grande público por seus trabalhos cheios de referências fantásticas e com histórias extremamentes criativas. Apesar da maioria de suas obras serem voltadas ao público adulto, um de seus contos mais populares é destinado aos leitores juvenis. Após ser levado aos cinemas em animação stop-motion em 2009, Coraline (Editora Rocco, R$ 48, 188 páginas) ganha versão em graphic novel que mantem o clima de fantasia e terror do livro original.
O universo das histórias em quadrinhos sempre pareceu um terreno seguro para uma adaptação do conto do escritor inglês. Muitas ideias de Gaiman parecem fáceis de serem imaginadas ganhando as mais instigantes ilustrações. Momentos como a casa que começa a se desmanchar e quando os ratos que se reúnem para personificar um homem são exemplos dessa bem-sucedida tradução.Caso você ainda não conheça Coraline, ela se muda com a família para um antigo casarão que, de tão grande, também conta com outros moradores excêntricos que não conseguem acertar a pronúncia do seu nome. O espírito aventureiro da garotinha a leva até uma misteriosa porta que não leva a lugar algum. Durante uma tarde chuvosa e entediante, Coraline decide abrí-la e descobre que se trata de uma espécie de portal para uma realidade estranha comandada por seus 'outros' pais.
A adaptação para a HQ fica a cargo do quadrinista P. Craig Rusel, parceiro antigo do autor e com ilustrações em obras como Mistérios Divinos e a série Sandman. Os desenhos conseguem misturar realidade e fantasia para distinguir os dois mundos. Enquanto tons pastéis caracterizam o universo real, o sombrio e o colorido dividem espaço nos quadros que retratam a vida além da porta misteriosa.O ótimo trabalho de Rusel lhe rendeu o Prêmio Eisner - o maior da categoria - de melhor publicação para o público adolescente na edição do ano passado. Ao elaborar um pequeno conto para sua filha Holly, Neil Gaiman descobriu que as possibilidades das histórias infantis também são infinitas.
O escritor consegue passar a mensagem de que é preciso ter cuidado com o que se deseja de maneira intrigante e que consegue agradar crianças e adultos. Destaque para pequenas tiradas sutis e alguns aspectos cruéis apresentados na trama. Não à toa Coraline chegou às telas de cinema e, agora, às páginas dos quadrinhos.Sem grandes pretensões, Gaiman criou uma das mais populares histórias juvenis contemporâneas.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Disney Retorna às Adaptações Literárias
Nos últimos anos, os estúdios Disney têm se voltado para aventuras criativas envolvendo grupos de brinquedos, peixes em alto-mar, uma família de super-heróis, carros circulando pelos Estados Unidos, robôs sentimentais e uma garçonete que sonha em abrir o próprio restaurante. A tradição de trazer às telas famosas princesas dos contos de fadas foi deixada de lado por um momento.A magia do mundo do faz de conta é retomada em grande estilo com Enrolados, que chega hoje aos cinemas brasileiros. O filme traz com competência para as mais avançadas técnicas da animação uma das célebres personagens infantis do livros: Rapunzel.
A expectativa do público fã dos desenhos animados da Casa do Mickey é grande, assim como as da própria empresa. A Disney não poupou esforços para mostrar que ainda sabe adaptar fábulas literárias e especula-se que o orçamento do longa ultrapasse a cifra de US$ 200 milhões.
O filme dos diretores Nathan Greno e Byron Howard é caracterizado por ser o 50º longa-metragem de animação dos estúdios. De maneira a misturar a tradição com as novidades tecnológicas do século 21, a dupla dá vida a angelical protagonista por meio da computação gráfica e utiliza a tecnologia 3D na produção.
Apesar de todas as atenções estarem voltadas para Rapunzel, uma preocupação era com que Enrolados não ficasse ligado somente ao público feminino. O título original com o nome da princesa foi trocado para que os meninos também pudessem se sentir mais próximos da aventura. Atrair os garotos fica por conta do carisma do ladrão Flynn Ryder, que ajuda Rapunzel a deixar a torre na qual está presa para conhecer o mundo.
A mudança da abordagem certamente será um obstáculo para que ela figure em lembranças ao lado de ícones da ‘realeza infantil’ da casa como a Bela Adormecida, Cinderela e Jasmine.Destaque também para o cavalo Maximus e o pequeno camaleão Pascal, responsáveis pelas principais tiradas cômicas da trama. Os momentos em que os quatro personagens se reúnem ditam o ritmo divertido com piadas que lembram o estilo pastelão.
A busca em unir o tradicional com o contemporâneo mostrado em Enrolados parece ser o caminho que a Disney quer adotar a partir de agora, com um sistema chamado de O Melhor Dos Dois Mundos. O passado e o futuro se encontram no presente.See You in The Other Post
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
'Fantasia': A Magia de Um Clássico Musical
Grande parte das animações é voltada para o público infantil e não são reconhecidos como filmes. Mas alguns desenhos animados surgem como verdadeiras obras de arte. É o caso de Fantasia, que chega ao século 21 em alta definição e com a missão de apresentar seu lindo trabalho - visual e artístico - para uma geração acostumada a produções feitas por meio da computação gráfica. 
Fantasia é caracterizado por suas oito peças que prestam homenagem a grandes obras da música clássica, casos de composições de Bach, Tchaikovsky e Stravinsky. Os pequenos contos apresentados são intercalados com ações em live-action, ou seja, cenas com a participação de pessoas de verdade. No caso, da orquestra que interpreta as canções temas. O objetivo do filme era fazer com que esse tipo de arte chegasse de forma mais abrangente e acessível aos fãs de Mickey Mouse e seus amigos.
Caso as músicas não signifiquem grande coisa para o público, todos podem recordar das trapalhadas vividas por Mickey na peça Aprendiz de Feiticeiro. Ao som de composição do francês Paul Dukas, o ratinho rouba o chapéu de seu mestre Yen Sid - o nome Disney invertido - e se mete em engraçadas situações ao lado das vassouras que ganham vida. Outra cena famosa é o balé entre hipopótamos de tutus e jacarés de chapéu em A Dança das Horas.
Menos conhecido do grande público, Fantasia 2000 segue o mesmo projeto do primeiro desenho animado, com nove pequenas histórias separada por cenas em live-action. Ao contrário de seu antecessor, o clássico contemporâneo chama a atenção por suas belas imagens. A diferença de mais de 50 anos entre as produções fica evidenciada pelo uso de elementos digitais que o título um patamar acima em comparação a muitas animações dos anos 2000. Detalhe para a participação de figuras como Steve Martin, James Earl Jones, Bette Midler e Quincy Jones na apresentação das introduções.
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Comemorando os 75 Anos da DC Comics
As histórias em quadrinhos nem sempre foram tão complexas quanto as atuais produções encontradas nas bancas e livrarias. Antes de se transformar em uma grande indústria do entretenimento, as ‘revistinhas'' se preocupavam apenas em divertir os jovens leitores que as compravam por poucos centavos.O nascimento dos super-heróis marca o início da saga das HQs como as conhecemos e uma grande parcela de toda sua trajetória se deve ao pioneirismo da DC Comics. A história da editora norte-americana é mostrada na minissérie especial Coleção DC 75 anos, dividida em quatro partes e que apresenta em seu primeiro volume A Era de Ouro (Panini, R$ 17,90, 148 páginas).
Esse período dourado das histórias em quadrinhos é datado do fim da década de 1930 até meados dos anos 1940, ao fim dos combates da Segunda Guerra Mundial. A fase tem como seu grande primeiro ato o lançamento da revista Action Comics em junho de 1938, que estampava em sua capa o primeiro super-herói do mundo: Superman. As aventuras do personagem criado por Jerry Siegel e Joe Shuster logo se tornou um grande fenômeno entre os jovens dos Estados Unidos. Detalhe para os poderes apresentados pelo Último Filho de Krypton, que ainda não podia voar, mas era capaz de saltar sobre os maiores edifícios existentes.O objetivo da Coleção DC 75 anos é dar oportunidade a atual geração de leitores para que tenham contato com os primeiros passos dos contos que tanto amam. Em A Era de Ouro, a Panini reúne em formato norte-americano as primeiras histórias de grandes ícones do universo das HQs.
No total, oito pequenos contos fazem parte da edição especial. É possível conferir o surgimento do Batman em O Caso da Sociedade Química, lançado originalmente em maio de 1939 na revista Detective Comics; A Origem do Flash, lançada em janeiro de 1940; Surge o Capitão Marvel, de fevereiro de 1940; O Caso do Assassinato dos Homônimo, de novembro de 1941, onde o Arqueiro Verde deu suas primeira flechadas; e Apresentando a Mulher-Maravilha, original de dezembro de 1941 e janeiro de 1942.
Ao passar pelas páginas, é engraçado notar o quão simples eram as tramas desenvolvidas. Nada de grandes reviravoltas e arcos que poderiam movimentar toda a vida do protagonista. O heróis exerciam papel de detetives superpoderosos e com inteligência fora do comum. Apesar do enredo um tanto infantil, os personagens já tinham um carisma forte o bastante que os perseguem até os dias de hoje.
Não se pode deixar de lado a diferença brutal entre os traços da época em comparação as ilustrações modernas. O pouco detalhes dos cenários, os recortes das cenas dos quadrinhos, a mistura de cores vivas e os espaços destinados a pequenas explicações da histórias caracterizam os primórdios da nona arte.
O início das atividades da DC Comics é contado na introdução DC e A Era de Ouro. O texto aponta que tudo começou graças ao talento artístico do Major Malcolm Wheeler-Nicholson, que deixou o exército norte-americano para dedicar seu tempo a escrever romances, adaptações de contos e elaboração de curtas histórias. A origem da editora rival à Marvel Comics se deve a empresa National Allied Publications, criada por Wheeler em 1934. Com o passar dos anos, o contato com novos empresários e a união com outras editoras do ramo foi criando o passado da casa de Superman e outras figuras. A DC Comics surgiria décadas depois.
O interessante da introdução é a presença de curiosidades envolvendo a trajetória dos super-heróis até chegarem às bancas. Antes de estampar a capa da edição número um da Action Comics - título mais antigo publicado até hoje -, a ideia de Superman havia sido descartada por outras empresas. O sucesso do personagem fez com que o escritor e desenhista Bob Kane descobrisse que, se queria ganhar dinheiro, era preciso que criasse um herói tão popular quando o Homem de Aço. O estilo noir da revista Detective Comics, ainda em atividade atualmente, foi essencial para que Kane imaginasse o sombrio Batman, sua identidade secreta Bruce Wayne e a cidade de Gothan City.
As brigas envolvendo os personagens e figuras características da Segunda Guerra Mundial foram essenciais para o bom rendimento das revistinhas. Era comum encontrar publicações com brigas dos superheróis, símbolos do poderio dos Aliados, com vilões representantes das forças do Eixo. O término dos combates esfriaram as vendas e questões éticas do mercado de quadrinhos acabaram por determinar o fim da Era de Ouro.
A DC Comics é conhecida pelos fãs por ser a casa de criações que delinearam o andamento da indústria. Os personagens podem não ser tão populares quanto algumas figuras de outras editoras, como a Marvel, mas são reverenciados por todos que acompanham a arte sequencial e merecem total respeito. A republicação de suas primeiras histórias mostra a gratidão pelo trabalho da Velha Guarda.
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