A vida em São Paulo não é feita apenas de diversão e felicidade. As ruas da cidade são frias o bastante para que seus moradores sejam muito ranzinzas e rudes. É por essa visão da realidade que segue Peixe Peludo (Conrad, R$ 24,90, 96 páginas), obra que faz da escassez de sensibilidade a porta de entrada na cena underground paulistana.
O livro já chama a atenção por seu protagonista: um peixe corcunda e repleto de pelos que gosta de tocar trompete. Seu jeito sério e a falta de paciência faz com que elabore interessantes observações sobre o que ocorre ao seu redor.O sarcasmo é espalhado por diversos temas. O mundo artístico, a culinária urbana, a influência dos meios de comunicação, e - não poderia ser deixado de lado - os rumos dos relacionamentos são comentados como bêbados conversando em uma mesa de bar.
As referências a lugares de São Paulo são ingredientes diferenciais na obra. O personagem passeia pela Praça Roosevelt, passa a frente do Espaço dos Satyros 1 e do Teatro do Ator, anda sob viadutos e chega até a icônica Rua Augusta após passar mal com um lanche do famoso ‘churrasco grego''.Peixe Peludo é uma criação de Rodrigo Bueno, responsável pelas ilustrações em preto e branco, e Rafael Moralez, que assina o roteiro. Com o livro, a dupla faz sua estreia em histórias em quadrinhos.
A opção por um peixe como o anti-herói do livro mostra o quão sujo pode ser o morador da Capital paulista. Mas não que isso seja uma coisa necessariamente ruim, mas representa que o conto de fadas na metrópole pode não ocorrer para todos. Os autores afirmam que a obra foi inspirada nas piores ressacas.

O longa-metragem tem como principal trunfo o poderoso elenco encabeçado por Angelina Jolie e Johnny Depp. Os atores se tornaram grandes ícones de Hollywood a partir de grandes sucessos de suas carreiras desde os anos 2000 e do grande apreço dos críticos e do público por seus trabalhos.
O filme mostra Elise (Jolie) sendo acompanhada de perto por agentes da Interpol que investigam seu relacionamento com o procurado ladrão Alexander. Durante viagem para Veneza, ela conhece o professor de matemática Frank (Depp). Ele acaba sendo confundido com o antigo companheiro de Elise e ambos entram em trama envolvendo perseguições, a polícia e um perigoso vilão.
Atualmente marcado por dar vida ao engraçado Capitão Jack Sparrow, da cinessérie Piratas do Caribe, Depp faz atuação contida demais. Sua estonteante companheira de trabalho reprisa ‘carões’ que não caem bem com a personagem em questão. Em resumo: ambos os astros não se esforçam para fazer do longa um filme melhor.
O universo das histórias em quadrinhos sempre pareceu um terreno seguro para uma adaptação do conto do escritor inglês. Muitas ideias de Gaiman parecem fáceis de serem imaginadas ganhando as mais instigantes ilustrações. Momentos como a casa que começa a se desmanchar e quando os ratos que se reúnem para personificar um homem são exemplos dessa bem-sucedida tradução.
A adaptação para a HQ fica a cargo do quadrinista P. Craig Rusel, parceiro antigo do autor e com ilustrações em obras como Mistérios Divinos e a série Sandman. Os desenhos conseguem misturar realidade e fantasia para distinguir os dois mundos. Enquanto tons pastéis caracterizam o universo real, o sombrio e o colorido dividem espaço nos quadros que retratam a vida além da porta misteriosa.
O escritor consegue passar a mensagem de que é preciso ter cuidado com o que se deseja de maneira intrigante e que consegue agradar crianças e adultos. Destaque para pequenas tiradas sutis e alguns aspectos cruéis apresentados na trama. Não à toa Coraline chegou às telas de cinema e, agora, às páginas dos quadrinhos.
A programação da mostra abre hoje a tarde, a partir das 15h30, com exibição de Bonequinha de Luxo (1961), do diretor Blake Edwards. Na cidade de Nova York, a garota de programa Holly (Hepburn) tem o sonho de casar-se com um milionário mesmo que tenha de renegar o amor pelo escritor Paul. O filme foi responsável por fazer do vestido preto usado pela protagonista um dos mais desejados pelas mulheres.
Outra sessão de estreia de Cinema de Moda é o filme The Rocky Horror Picture Show (1975), às 17h30. Com direção de Jim Sharman, o título mistura bizarras situações com personagens não menos estranhos para mostrar as desventuras de um casal que visita bizarro castelo atrás de auxílio para o carro quebrado. O figurino mostrado em cena é referência para muitas fantasias utilizadas nas comemorações do Dia das Bruxas nos Estados Unidos.
O dia é encerrado com Across The Universe (2007), de Julie Taymor, às 19h30. O musical apresenta um retrato dos jovens da década de 1960 tendo como trilha sonora composições dos Beatles. História de amor entre Jude e Lucy é contada ao mesmo tempo em que ações anti-guerra que movimentam a sociedade acabam por separar o casal. O espírito libertário e o vestuário colorido da cultura hippie já renderam diversos filmes e a obra segue na mesma trilha.
Além dos filmes, a mostra conta com palestras e mesas-redondas gratuitas que abordarão assuntos veiculados ao mundo da moda. Assim como nas sessões cinematográficas, os interessados devem retirar senha uma hora antes do início das atividades que desejarem participar. Uma das atrações mais esperadas é a apresentação do produtor cultural Fernando Zelman e do respeitado pesquisador João Braga no dia 25 (feriado em comemoração ao aniversário da Capital paulista), a partir das 16h30, onde irão falar sobre o tema A História da Moda na Cidade de São Paulo.
Há muito mais sobre a moda do que os chiques desfiles com belas modelos. Sua cultura vai muito além disso e encontra no cinema um de seus grandes aliados.
Apesar da animação ser voltada em grande parte para as crianças, muito se fala sobre sua indicação a estatueta de melhor filme. Caso isso ocorra, terá chances para brigar com reais forças pelo envelope com seu nome.
Toy Story 3 vai além de apenas mais uma obra Disney. Cheio de nostalgia e carregado com fortes doses de sentimentalismo, a animação encerra um ciclo pelo qual uma geração inteira acompanhou o que ocorria no quarto de Andy enquanto ele não estava por perto. O estúdio parece entender esse significado e o transformou em uma das melhores produções cinematográficas do ano.
A campanha de marketing da Disney envolve diversos cartazes divulgados nas páginas das principais publicações de entretenimento dos Estados Unidos. A ideia é remeter algumas cenas do longa a outros grandes títulos que venceram o Oscar de melhor filme em edições anteriores.
A possibilidade do desenho animado figurar entre os indicados é grande, principalmente pelo fato de que, desde o ano passado, o número de selecionados para a categoria passou a ser de dez filmes. Na edição de 2009, a Disney/Pixar esteve presente na briga pela estatueta mais cobiçada do evento com UP - Altas Aventuras, dos diretores Pete Docter e Bob Peterson. A primeira vez que uma animação figurou na lista de melhor filme foi na edição de 1992, com A Bela e A Fera (1991).
A Academia de Cinema de Hollywood precisa deixar de lado esse tipo de observação e levar em conta a arte por trás dos filmes. As engraçadas campanhas servem apenas para divertir.