A Segunda Guerra Mundial serve como bom cenário para histórias de ação. Mas além dos combates na linha de fogo, o drama de seus personagens conta com ingredientes que nos fazem lembrar que é capaz de haver humanidade em meio a barbárie. Uma das figuras presentes nos campos de batalha é apresentada por meio de A Guerra de Alan – As Memórias do Soldado Alan Ingram Cope (Zarabatana Books, R$ 49, 336 páginas). A graphic novel se distancia de outras publicações ao deixar de lado os acontecimentos veiculados aos momentos de conflito campal para trazer à tona lembranças pessoais de um jovem soldado convocado.
Tudo começa com a notícia de que Pearl Harbor havia sido bombardeada pelos japoneses. A ação fez com que milhares de rapazes fossem chamados para ajudar seu país. O leitor acompanha o norte-americano Alan Cope desde seu alistamento, passando pelo duro treinamento nas bases militares e chegando até seu encontro com os inimigos dos Países do Eixo. O projeto se estende o bastante para mostrar também a retomada de sua vida no difícil período pós-guerra na América e na Europa.
A incrível jornada do protagonista é repleta de relatos abertos e, em certos momentos, sem importância. Mas são nessas análises desnecessárias que está o brilho da obra. Os problemas de higiene das tropas, as broncas sem sentido dos militares superiores, as fugas na madrugada para pegar comida, algumas complicações devido a bebidas e a amizade feita com os companheiros de batalhão são alguns dos temas tratados nas centenas de páginas.
Os comentários extremamente intimistas cercam o livro de personalidade e de empatia capaz de satisfazer curiosidades que muitas pessoas devem ter e que nunca pararam para tentar descobrir a resposta. As emocionantes memórias do ex-militar ganham força com as fotos das páginas finais.
A HQ não teria o mesmo significado sem a bela amizade entre o verdadeiro Alan Cope (sim, ele realmente existiu) e o francês Emmanuel Guilbert, autor da obra.
"A Guerra de Alan é o resultado do encontro de um homem idoso, que tinha o dom de contar histórias de vida, e um jovem, que espontaneamente se sentiu compelido a escrevê-la e desenhá-la. (...) É um livro sobre um único homem, Alan Cope, e sobre o que ele viu, viveu, sentiu e estava desejando compartilhar comigo, 50 anos depois", explica Guilbert.
O rápido convívio de apenas cinco anos entre os dois foi o bastante para o vasto arsenal de pequenos contos. As conversas (em francês) tidas desde 1994, ano no qual se conheceram, se transformaram nos capítulos publicados em uma revista francesa. Cope morreu em agosto de 2009 e não conseguiu ver a primeira edição original do livro. Com certeza deixou este mundo com a sensação de dever cumprido.
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Caso você conheça pouco sobre essas estranhas criaturas sedentas por carne humana, grande parte das respostas está nas páginas de Zumbis – O Livro dos Mortos (Editora LeYa, R$ 44,90, 464 páginas). A publicação não é um manual de sobrevivência contra esses inimigos, mas conta com vasto material informativo que promete agradar em cheio cinéfilos que acompanham a inusitada carreira cinematográfica dos mortos-vivos.
"Escrevi o livro porque queria lê-lo. Sempre fui fã de filmes de zumbis e um dia me perguntei o que existia neles que me fascinava tanto", explica o jornalista Jamie Russel, autor do projeto.
É interessante analisar que o ponto inicial para a disseminação das histórias de zumbis foi o livro A Ilha da Magia, de 1929, no qual o escritor William Seabrook relata acontecimentos que vivenciou na então misteriosa ilha do Haiti. O conto influenciou o memorável filme Zumbi Branco (1932) (abaixo) e outras milhares de produções para as telonas.
Apesar de sua popularidade, os monstros sempre figuraram na sombra de outras criaturas pouco mais respeitadas, como vampiros e lobisomens. Seus filmes sem altos investimentos ficaram marcados com a estigma de 'filmes B'. Segundo Jamie Russel, "os zumbis são uma espécie de operários do cinema de horror. Há milhões deles. Os vampiros são mais como os aristocratas. Não tenho certeza se nós precisamos levá-los mais a sério".
A figura degradante dos zumbis causa repulsa, mas é notório que também nos deixa inquietos. Não à toa, é possível encontrar atrações com os macabros personagens em todos os meios. Eles estão rivalizando hoje com o popular universo vampirístico.
"É verdade que os vampiros predominam no mercado, tanto na literatura como no cinema, mas isso ficou tão saturado que abriu as portas para lobisomens, anjos e mortos-vivos", analisa Ademir Pascale, autor do livro Zumbis – Quem Disse Que Eles Estão Mortos?.
O mais recente sucesso do meio surgiu com o seriado The Walking Dead. A atração televisiva tem como base para a adaptação a história em quadrinhos Os Mortos-Vivos, que voltou às bancas no Brasil graças ao sucesso da série. A literatura também foi influenciada e um ótimo exemplo é Orgulho e Preconceito e Zumbis, que traz versão trash do romance Orgulho e Preconceito, de Jane Austen.
Pascale acredita que a onda fez com que materiais de qualidade referentes ao universo dos zumbis cheguem até o público. "Os brasileiros lidam com maturidade com o tema e já existe uma grande gama de fãs sobre o assunto", diz o escritor, lembrando também as ações da Zombie Walk, na qual milhares de pessoas se fantasiam de mortos-vivos no Dia de Finados e seguem pelas ruas. O evento tem ocorrido nos últimos anos em São Paulo e em 2011 não será diferente.
O respeito por produções britânicas foi mantido com as atenções voltadas para O Discurso do Rei. Com previsão de estreia no País em 11 de fevereiro, o longa concorre a 12 prêmios, entre eles o de melhor filme e o de melhor ator para o favorito Colin Firth.
Seu principal concorrente na briga pelo título de melhor produção de 2010 é o interessante A Rede Social - também conhecido como ‘o filme do Facebook''. A lista também traz Cisne Negro, Bravura Indômita, 127 Horas, Inverno da Alma, O Vencedor, A Origem, Minhas Mães e Meu Pai e a ótima animação Toy Story 3. Como conjunto da obra, é possível que a trajetória da popular rede da internet vença.
O instigante trabalho como ex-boxeador viciado em crack em O Vencedor parece não deixar espaço para que concorrentes tirem de Christian Bale o Oscar de ator coadjuvante.
Ambas do elenco de O Vencedor, Amy Adams e Melissa Leo surgem como bons nomes para melhor atriz coadjuvante, tendo a última atuação superior no filme.
O Brasil será representado por Lixo Extraordinário, produção feita em parceria com o Reino Unido e que mostra trabalho social feito pelo artista plástico Vik Muniz. O projeto está entre os cinco finalista de melhor documentário em longa-metragem.
O diretor Edward Zwick (O Último Samurai e Diamante de Sangue) mostra que ainda guarda a sensibilidade dos tempos de Lendas da Paixão (1994) em sua nova obra sobre o amor. Sem grandes problemas, o cineasta consegue administrar o encontro de Jamie com Maggie no meio da década de 1990.
Jamie pouco se importa com o estado de Maggie e os dois iniciam quentes encontros. Em paralelo, o rapaz começa a se dar bem com a venda de um revolucionário medicamento que chega ao mercado e promete acabar com a impotência masculina.
Ao contrário do que se possa imaginar, a redenção apresentada na tela não é a do garanhão que encontra o amor verdadeiro. O foco se vira para o drama médico vivido por Maggie, em outra atuação convincente de Hathaway. A repulsa por um portador de Parkinson se mostra mais forte de dentro da própria personagem. Ao não se permitir viver, ela cria barreira para que os outros não se aproximem demais. Seu novo companheiro lhe serve como chave para um novo mundo repleto de possibilidades e, é claro, amor.
O livro reedita histórias lançadas originalmente em 1998. Apesar da presença do herói, a criatura mais famosa de Eisner acaba ‘emprestada’ para outros respeitados nomes do gênero. Alan Moore, Dave Gibbons, Neil Gaiman, David Lloyd, Moebius e Kurt Busiek, entre outros, revelam suas versões para o protetor de Central City.
As 11 aventuras apresentadas mostram diferentes visões sobre Denny Colt e seu alter ego. Não ficam de fora dos contos figuras como o Comissário Dolan, sua filha Ellen e o vilão Dr. Eugene Cobra, além do cemitério de Wildwood. Os artistas só não podiam matar ou casar o personagem. Cada um presta sua homenagem ao ídolo sem ousadas mudanças – provavelmentre devido ao medo que enfrentaram de ter de apresentar o trabalho a Eisner, conhecido por não gostar muito que sua criação seja tomada por outras mãos.
É interessante observar como uma mesma ideia pode gerar diferentes possibilidades. Enquanto Alan Moore busca ressaltar a origem do herói mascarado e vislumbra o futuro de sua cidade, Neil Gaiman aposta no olhar de um personagem secundário sobre as ações do protagonista. Outro destaque fica por conta da versão bem-humorada e um pouco mais idosa de Spirit pelo roteirista Jim Vance.
A presença de Eisner na publicação está em seus desenhos chamados de pinups, espécie de quadros do herói. A fascinação por Spirit continua após 70 anos e sua importância será reconhecida para sempre.